Toto Wolff, diretor da Mercedes, admitiu estar surpreendido com o ritmo de desenvolvimento da Ferrari, questionando como a Scuderia consegue introduzir atualizações de grande escala de forma quase contínua sem aparentemente esgotar a margem disponível ao abrigo do limite de custos da Fórmula 1. Os comentários foram feitos em Spielberg, onde a Ferrari chegou com mais um pacote substancial de atualizações para o Grande Prémio da Áustria, incluindo uma nova especificação de motor, alterações no aileron dianteiro e componentes de teste adicionais.
Wolff reconheceu que a Mercedes não consegue igualar o ritmo de desenvolvimento da Ferrari, sublinhando que a equipa alemã, tal como a Red Bull e a McLaren, tem adotado uma abordagem mais moderada, com grandes atualizações espaçadas e pequenas peças a serem introduzidas entre as jornadas principais. A Ferrari, pelo contrário, parece manter a linha de produção a funcionar a plena capacidade de forma ininterrupta desde a primavera, com o SF-26 a evoluir quase corrida a corrida.
A mais recente atualização do motor da Scuderia mereceu atenção redobrada por ter chegado pouco depois de a equipa se tornar elegível para oportunidades de desenvolvimento adicionais ao abrigo dos regulamentos de motores da FIA. Wolff admitiu que, pela lógica do limite de custos, a Ferrari deverá eventualmente ficar sem margem para continuar a introduzir peças novas na fase final da temporada, algo com que a Mercedes conta para reequilibrar a luta pelo desenvolvimento. O responsável da equipa de Brackley deixou, contudo, claro que não está a sugerir qualquer irregularidade por parte da Scuderia, limitando-se a assinalar o caráter excecional do programa de desenvolvimento da equipa italiana.
“Estamos um pouco surpreendidos com o facto de a Ferrari conseguir lançar estas enormes atualizações no carro da forma como o faz” afirmou Toto Wolff. “Na minha opinião, em breve terão de ficar sem dinheiro, dinheiro do limite orçamental, porque nós não conseguimos fazer isso. Simplesmente não temos a margem no limite orçamental para trazer tantas peças da forma como eles o fazem. Por isso, esperemos que isso mude para o final da temporada, quando já não consigam trazer mais peças. Pelo menos, digamos, a lógica diria isso, e nós vamos aparecer com mais.”
“Os únicos que não estão a abrandar são a Ferrari. Pode ver-se que tivemos um grande pacote que introduzimos no Canadá. Temos pequenas peças que chegam entretanto. Acho que o mesmo se aplica à Red Bull e à McLaren. É apenas que a Ferrari parece ser ilimitada dessa forma, e por cima disso, estavam à espera de um ADUO e aparecem com um novo motor. Por isso, devem ter começado o desenvolvimento há seis meses…”
Foto: Philippe Nanchino /MPSA










