Opel “perde” 40% dos engenheiros
Por José Caetano
A Stellantis pretende eliminar 650 postos de trabalho na divisão de engenharia da Opel, na sede da marca, em Rüsselsheim, Alemanha. Atualmente, somente neste departamento, encontram-se 1650 engenheiros! O consórcio, para otimização de recursos financeiros e humanos, decidiu transformar esta unidade num centro de competência tecnológica especializado em sistemas eletrónicos de assistência à condução (ADAS), Inteligência Artificial (IA). E a estrutura nova também trabalhará no desenvolvimento tanto de baterias como de componentes de “software” para a arquitetura STLA Brain do segundo maior fabricante europeu de automóveis.
A decisão da Stellantis não retira a Rüsselsheim responsabilidades na conceção e no desenvolvimento de automóveis da Opel (e Vauxhall), mas diminui a dimensão do centro técnico do fabricante, com o objetivo de torná-lo em centro tecnológico muito mais especializado. No entanto, a medida, que integra o pacote de ações do consórcio para reorganizar as operações na Europa, de forma a otimizar recursos, reduz em 40% a força de trabalho residente.

Num passado ainda não muito distante, recordamo-lo, Rüsselsheim tinha um dos maiores centros de desenvolvimento de automóveis na Alemanha, país que perde importância estratégica e protagonismo com esta reestruturação de operações da Stellantis, consórcio que até está (muito) empenhado na expansão da rede global de centros de investigação e desenvolvimento (R&D).
Prova-o, por exemplo, a negociação avançada com a parceria chinesa Leapmotor para o desenvolvimento de SUV com motorizações elétricas para a Opel, que será produzido pela Stellantis em Saragoça, Espanha. O consórcio comunicará o ritmo de implementação da organização nova só após reuniões com representantes dos trabalhadores, que já receberam comunicação da empresa a informá-los de que o programa de cortes planeado para executar até 2029 é insuficiente para recuperar a marca e recolocá-la sobre carris.
Rüsselsheim tem registado uma diminuição contínua de postos de trabalho desde que o Grupo PSA adquiriu a Opel, em 2017. Então, a marca alemã, combinando os números de funcionários no “quartel-general” e noutras instalações, tinha mais de 7000 engenheiros. Depois, iniciou-se o processo de racionalização das atividades, o que originou deslocalizações de operações e reduções de pessoas com recurso a saídas voluntárias ou transferências para prestadores de serviços externos.
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