A primeira unidade de produção do Ferrari Luce, o primeiro automóvel da marca italiana equipado com motorização elétrica, foi arrematado por 40 milhões de dólares durante leilão da RM Sotheby’s na Semana do Automóvel de Monterey, na Califórnia, EUA. Este montante equivale a cerca de 34,5 milhões de euros e é quase 35 vezes superior à estimativa inicial do promotor, que era de um milhão de euros!
O Luce “Chassis 0”, unidade especialmente configurada pelo departamento Tailor Made da Ferrari, apresenta-se com uma configuração exclusiva, com a carroçaria pintada em Madreperla Semi-Gloss, enriquecida com um pigmento especial. As jantes apresentam acabamento branco, uma opção que se prolonga pelo habitáculo, onde predomina a mesma temática cromática e se destaca a utilização extensiva de pele Le Mans. Trata-se, portanto, de uma especificação concebida para distinguir este carro dos demais Luce.
O leilão realizou-se sem valor de reserva e teve uma particularidade fundamental para compreender o extraordinário resultado alcançado: tratou-se de uma venda de beneficência. A totalidade dos 40 milhões de dólares será entregue à Ferrari Foundation, destinando-se o montante ao financiamento de futuras iniciativas e oportunidades na área da educação. A RM Sotheby’s não cobrou qualquer comissão sobre a operação.
Apesar de ter sido vendido, o Ferrari Luce não será imediatamente entregue ao seu novo proprietário. O “Chassis 0” permanecerá na Ferrari, em Maranello, até 2027, altura prevista para a sua entrega. É também importante sublinhar que os 40 milhões de dólares alcançados neste leilão não devem ser interpretados como o valor de mercado deste automóvel. Estamos perante um exemplar único, com uma configuração especial e uma finalidade filantrópica, fatores que contribuíram decisivamente para o valor extraordinário alcançado.

O comprador já tinha estabelecido o recorde anterior
Esta história torna-se ainda mais curiosa quando se conhece a identidade do comprador. O Ferrari Luce foi adquirido pelo norte-americano Herbert “Herbie” Wertheim, empresário, inventor, investidor e filantropo, personalidade que tinha a particularidade de já ter estabelecido o anterior recorde para o automóvel novo mais caro vendido num leilão. Fê-lo na edição do ano passado da Semana do Automóvel de Monterey, quando adquiriu um Ferrari Daytona SP3 Tailor Made por 26 milhões de dólares, também através da RM Sotheby’s.
Um ano depois, o mesmo colecionador voltou a elevar a fasquia. E existe ainda uma ligação direta entre as duas compras: tal como aconteceu com o Daytona SP3, a aquisição do Luce está associada à vertente filantrópica de Wertheim.
O empresário é conhecido pelas suas atividades de investimento e pelo apoio a diversas causas, sendo a educação uma das áreas a que tem dedicado parte significativa da sua vida.

Mais caro do que o McLaren F1 GTR
O resultado alcançado pelo Ferrari Luce surge num contexto particularmente forte para o mercado de automóveis de coleção em Monterey. O segundo automóvel mais caro vendido pela RM Sotheby’s foi um McLaren F1 GTR de 1996, carro com o chassis 10R, que atingiu 34.655.000 dólares. Este exemplar é um dos dois protótipos F1 GTR de traseira curta e tem uma história particularmente relevante, tendo permanecido durante cerca de 25 anos na coleção de Nick Mason, baterista dos Pink Floyd.
O terceiro lugar pertenceu a um Chevrolet Corvette Grand Sport de 1963, vendido por 18.705.000 dólares. Trata-se de um dos cinco Grand Sport originais e do primeiro de apenas três exemplares com a configuração de “coupé”. Logo atrás posicionou-se outro Ferrari: um Daytona SP3 com apenas 227 milhas foi arrematado por 17.825.000 dólares. Este valor também é particularmente expressivo, uma vez que se trata de um automóvel muito mais recente do que os restantes modelos presentes no topo da lista, demonstrando a forte procura por carros produzidos de forma limitada pela Ferrari.
Também entre os modelos clássicos da marca de Maranello, os resultados foram impressionantes. Um F50 atingiu 12.105.000 dólares, um 288 GTO com menos de 1000 milhas foi vendido por 11.555.000 dólares, enquanto um Enzo alcançou 9.410.000 dólares. Um F40 com apenas 320 milhas e que pertenceu a Lee Iacocca, ex-executivo da Ford, marca em que esteve por detrás do lançamento do Mustang, e da Chrysler, mudou de mãos por 8.365.000 dólares.

Um novo recorde para um automóvel novo
No conjunto dos três dias de leilões realizados em Monterey, a RM Sotheby’s somou 375.887.800 dólares em vendas, num retrato expressivo da dimensão atual mercado de automóveis de coleção.
Os resultados demonstram como fatores como a raridade, a proveniência, a quilometragem, o historial de competição e uma especificação particularmente exclusiva podem elevar em muitos milhões de dólares o valor de automóveis que já são, por si só, extremamente raros.
No caso do Luce, a componente filantrópica foi determinante e impede que o resultado seja utilizado como referência direta para avaliar futuras unidades de produção. Ainda assim, os 40 milhões de dólares alcançados pelo “Chassis 0” têm um significado histórico inequívoco. Antes mesmo de iniciar a sua carreira, o primeiro Ferrari 100% elétrico já estabeleceu o seu primeiro grande recorde.










