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ENSAIO: BMW M6 Gran Coupé

José Luis Abreu by José Luis Abreu
31 Maio, 2017
in AUTO+, Ensaios
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ENSAIO: BMW M6 Gran Coupé

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Olhar para este BMW M6 Gran Coupé é quase como ver um desfile da Victoria’s Secret. Tudo parece perfeito, e nem a asas de anjo estão a mais. E neste caso, mais do que o contemplar, pudemos testá-lo, e ao cabo de um par de dias, é fácil ficarmos completamente arrebatados por este automóvel. É verdade que é um luxo muito caro, mas quem puder ter a sorte de poder desfrutar de um automóvel deste calibre, há muito pouco para não destacar positivamente. O que salta de imediato à vista, logicamente, é a beleza do automóvel. O M6 Gran Coupé é lindíssimo, e isso é percetível a partir de qualquer ângulo.

Basta um olhar para nos deixaremos levar, por exemplo, pelas entradas de ar na dianteira, a revelarem, de imediato, as suas aspirações desportivas. Mas o que o torna absolutamente especial é o facto de aliar à estética de sonho um conjunto de qualidades dinâmicas fantásticas. Não que isso seja uma surpresa, pois ao fim ao cabo é um ‘M’, que todos sabemos o que significa: alta performance! Além de bonito, o M6 Gran Coupé é fantástico de se guiar e para uma viatura com quase duas toneladas revela capacidades dinâmicas muito elevadas. O interior é muito luxuoso, mas se quisermos encontrar alguns defeitos, também se arranja. Por exemplo, transportar cinco pessoas só mesmo em percursos muito curtos, pois o lugar traseiro do meio é desconfortável. Afinal, ninguém gosta de ir de ter um enorme túnel de transmissão entre as pernas, e os pés não se sabe bem onde – pequenos sacrifícios para se poder desfrutar da potência avassaladora. Por outro lado, é perfeito para levar um casal amigo a passear. Imaginemos por momentos que poderíamos ir passar umas horas ao Algarve, e após sair de Lisboa, a A2 era uma autoestrada alemã, sem limites. Bom, isso significaria acelerar até à velocidade máxima limitada eletronicamente de 250 Km/h, isto se não tiver montado o ‘Pack Competition’, que oferece ainda mais potência ao
motor, uma direção mais direta e uma suspensão especialmente afinada para garantir uma viagem de sonho a velocidades estonteantes e com um sublime ambiente a bordo. Com este opcional, o M6 Gran Coupe consegue chegar aos 305 km/h.

MOTOR BRUTAL
Equipado com um motor a gasolina BMW M TwinPower Turbo, V8, de 4.4 litros com 560 CV e 680 Nm de binário, e com uma caixa de sete velocidades de dupla embraiagem, este M6 é um compêndio de emoções. Em resposta ao pisar do acelerador ouvimos uma sinfonia digna das melhores orquestras. O binário máximo está logo disponível a partir das 1500 rpm, pelo que, como pode calcular, a aceleração é brutal, apesar dos 1.950 Kg. A entrega de potência é perfeitamente linear, e a sensação de força é enorme. Aqui, um parêntesis para referir que o verdadeiro teste ao motor deste carro, só dentro de um autódromo, pois os limites a que estamos obrigados só nos permitem sonhar com o que seria capaz de fazer.

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Mas pelo que deu para perceber, a aceleração é brutal, e o M6 revela-se um automóvel estranhamente ágil. Com este comprimento e peso não pensava poder ter um carro tão desenvolto nas mãos. Um dos pontos que ajuda a esta agilidade tão pronunciada é o baixo centro de gravidade. O carro é muito baixo, e isso ajuda a tornar a experiência de condução ainda mais desportiva. O M6 Gran Coupé tem tração traseira, e o diferencial ativo ‘M’ ajuda a colocar a potência no chão de forma perfeitamente controlada (distribui o binário de forma variável entre as rodas traseiras otimizando a tração e a estabilidade de condução), mas demorar pouco mais de quatro segundos a chegar aos 100 km/h requer alguma cautela, para além de que o tamanho do carro impõe respeito. Sempre são mais de cinco metros, o que intimida um pouco. Mas se formos suaves com o acelerador demonstra também que é possível guiá-lo de uma forma descontraída, ainda mais se mantivermos o modo Comfort, que ‘suaviza’ bastante o amortecimento. Se o quiser ‘sentir’ bem melhor, tem os modos Sport e Sport +, mas já lá vamos. Rodando em estradas mais sinuosas, mas ainda assim rápidas, dá para perceber que poderíamos ir bastante mais longe, mas aqui também começamos a perceber que este carro não é feito para percursos mais lentos, pois aí começa a sobressair a dimensão e o seu peso. Claramente é em auto estrada que o M6 Gran Coupé está nas suas ‘sete quintas’. Mas não resistimos à ideia de tentar cansar os travões, sem sucesso, pois a verdade é que após uma hora de estradas ‘saloias’, o sistema de travagem em cerâmica e carbono está na mesma. Fadiga, só no condutor. Para intensificar ainda mais a experiência há mais dois modos de condução, o Sport e Sport + que endurecem a direção e a suspensão. O ritmo aumenta, a dureza da direção é notória e o carro torna-se mais mais difícil de guiar, na mesma medida que fica mais eficiente. Fica muito mais duro a todos os níveis e aqui percebemos que podemos curvar ainda mais depressa. Talvez por ficar extremamente tenso, confesso que não gostei destes modos. Mas também é preciso reconhecer que eles estão lá para outras mãos. Passar para aquele nível tinha que ser o meu amigo António Félix da Costa, tão habituado que está a lidar com os modelos da marca bávara, a que representa no DTM.

‘MODO’ CIVILIZADO
Nem tem que ser com os modos Sport ou Sport +, pois também em Comfort isso sucede: o M6 Gran Coupé anda tanto que para curvar bem têm quase sempre que se fazer travagens fortes. Depois o instinto é repor a velocidade e essa recuperação com os 560 cv dá-se num ápice. Não tenho a mais pequena dúvida que em estradas mais sinuosas um carro mais pequeno e com metade da potência era mais do que suficiente para haver diversão na certa, mas este M6 Gran Coupé consegue igualmente andar bem em estradas fora da sua escala.

Deixando um pouco a performance para passar para o conforto, neste caso do modo ‘Comfort’, é notório como este permite que o M6 Gran Coupé seja bem mais ‘civilizado’. É, digamos, uma berlina de luxo pronta a ‘disparar’ a qualquer momento. Neste modo, motor, acelerador, direção e a caixa automática de sete velocidades e dupla embraiagem ‘M’ com Drivelogic são bem mais suaves. A vida a bordo é excelente, a insonorização é ótima, ainda que se ouça bem o V8. Mas isso, pelo menos para mim, é apenas música para os ouvidos. A posição de condução é adequada e quanto à instrumentação, está tudo no sítio. Sendo um Coupé, a acessibilidade não é a melhor, mas como quase sempre na vida, a beleza paga-se. Reduzida a quatro ocupantes, a habitabilidade é perfeita. Este M6 Gran Coupé não pode ser considerado um verdadeiro desportivo, mas o carro tem definitivamente genes especiais, pois tanto consegue ombrear em termos de luxo e requinte com um Série 7, por exemplo, como nele se veem traços irreverentes do M3 ou M4. Para além disso, gostos não se discutem, mas é fácil considerálo o BMW mais bonito atualmente. De qualquer modo, está apenas ao alcance de bolsas perfeitamente bem recheadas, e embora acredite que a maioria das famílias com capacidade para adquirir um carro destes pudesse optar por uma berlina da Série 6 ou 7, por exemplo, a verdade é que aí nunca terão o gozo que este M6 Gran Coupé proporciona. Não iria tão longe ao apelidá-lo de um Dr. Jekyll e Mr. Hyde, mas que se transforma fortemente, não tenha dúvidas disso. Ah, é verdade, o preço ‘começa’ nos 165 000 €, e como opcional só não disponibiliza um ‘kit de unhas’ para o condutor. No meu caso, bem precisava, mas ainda assim foi uma quadra de natal bem passada…

BMW M6 Gran Coupé
Preço €165 000

Motor: V8 Gasolina, Inj. Direta, Turbo, Intercooler, 4.395 cm3
Potência: 560 cv/6.000–7.000 rpm (c/pack competição 601 cv)
Binário: 680 N.m/1.500–5.750 rpm
Transmissão: traseira, cx. Autom. 7 vel.
Suspensão: Eixo de torção à frente a atrás
Travagem: DV/DV
Mala 550-1446 litros
Depósito: 80 l
Peso: 1950 Kg
Mala: 460-1265 l
Vel. máxima: 250 km/h (limitada)
Aceleração 0 a 100 km/h: 4,2 s
Consumo médio: 9,9 l/100 km
Consumo médio AutoSport: 13,2 l/100 km
Emissões CO2: 231 g/km

Tags: BMW M6 Gran Coupé
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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