Por Pedro Junceiro
O Avenger, um dos automóveis mais bem-sucedidos da Jeep na Europa, beneficiou de atualização substancial, que garante o cumprimento do ideal de chegar a todo o lado com confiança, graças ao sistema 4xe de tração eletrificada às quatro rodas. Essa versatilidade encontra-se entre as mais-valias deste Sport Utility Vehicle (SUV) concorrente no segmento B. Simultaneamente, modernização da imagem e progressos no equipamento. A gama tem preços desde 29.500 € (novo motor 1.2 Turbo de 100 cv). Primeira experiência ao volante.
Desenvolvido com o intuito de ser uma solução adaptável a diferentes tipos de necessidades, mas sem esconder a sua orientação mais urbana, o Avenger é um caso de sucesso para a Jeep, como demonstram as mais de 280.000 unidades vendidas desde o lançamento, em 2023. Pouco mais de três anos depois, a marca norte-americana apresenta capítulo novo na história do SUV de segmento B, modelo que ganha uma presença mais robusta e atributos técnicos alinhados com a filosofia da Jeep de propor automóveis que enfrentam terrenos difíceis com confiança.

Fabio Catone, Diretor Executivo da Jeep Europe, destaca essa ideia. O Avenger, diz, é um automóvel “ágil na cidade e ‘aventureiro’”. Um conceito agora otimizado com a atualização de meio de ciclo. Um dos primeiros aspetos a ter em conta no carro novo é a componente estética mais robusta, o que é transversal a todos os níveis de equipamento e motorizações. Os para-choques foram retocados e apresentam um elemento de proteção em plástico preto. No caso da versão 4xe, a dianteira torna-se mais “musculada” por contar com elemento preto de maiores dimensões (abrange até os faróis), o denominado “Jeep Shield” (esta designação faz alusão a um escudo protetor). E diferencia-se ainda por autocolante no “capot”, apontamentos vermelhos no para-choques dianteiro, ganchos de reboque proeminentes e para-choques traseiro específico. E exclusivos são, ainda, os pneus M+S (Mud+Snow) ou placa de proteção sob a carroçaria, na parte da frente.
A Jeep também melhorou a iluminação do Avenger. O carro passa a dispor de grelha com sete elementos iluminados (opção) e tecnologia LED Matrix nos faróis dianteiros, com luzes de máximos adaptáveis, item reservado aos níveis de equipamento superiores.
A câmara dianteira apresenta-se numa posição superior na grelha para minimizar a hipótese de danos durante a condução “off-road” e é fundamental para o desempenho do sistema de visão panorâmica 360º, que proporciona mais segurança nas manobras de estacionamento. Nota para as novas opções de jantes de 17’’ (combinam cinzento e preto) e 18” (têm um corte diamante e são pretas). E passam a existir duas novas opções de cores exteriores, Forest e Bamboo, e tejadilho contrastante em preto.

Apesar de dedicar especial atenção à versão 4xe, a Jeep garante que todos os membros da gama estão aptos para o fora de estrada, com a versão de tração integral a dispor de ângulos de ataque (22º), ventral (21º) e saída (35º) que admitem essas incursões fora do asfalto sem muitas “dores de cabeça” – nos modelos com tração dianteira, respetivamente, 21º,20º e 34º. A altura ao solo é de 210 mm (200 mm nos 4×2). De série, modos de condução Selec-Terrain e controlo de velocidade em descida (Hill Descent Control).
Mais requintado
O interior conta com qualidade melhorada, graças a revestimentos macios ao toque nos painéis das portas e na zona inferior do painel de bordo, que também tem apresentação mais cuidada (essa atenção ao detalhe nota-se nos revestimentos e nos pespontos utilizados para os acabamentos). Nas versões Altitude e Summit, materiais mais “premium” (tecido/vinil) e o 4xe apresenta-se com revestimentos em verde mais fáceis de lavar e resistentes – também tem linhas topográficas no painel de bordo e na cobertura do compartimento central para arrumação de objetos.

O seletor de modos de condução Selec-Terrain tem novo desenho, que replicar o grafismo da grelha dianteira e cor vermelha – e, por isso, destaca-se num interior bem desenhado e fácil de utilizar. A capacidade da bagageira mantém-se: volume mínimo de 380 litros (dependendo da versão).
O sistema de infoentretenimento conta com monitor de 10,25’’ posicionado no centro do painel de bordo e admite conexão sem fios a Android Auto e Apple CarPlay, e atualizações remotas (“over-the-air”) de “software”. Entre as funções disponíveis, navegação com planeamento de rotas mais eficientes, por considerarem as especificidades das versões eletrificadas, e ChatGPT. Neste âmbito, a aplicação Jeep Connect também oferece várias possibilidades aos proprietários do Avenger, incluindo a localização do veículo, a verificação do nível de carga na bateria (na versão elétrica) e a ativação da climatização.
Boas competências
A gama do Avenger tem nova motor Turbo 100 a gasolina, com base no 1.2 de 3 cilindros. Esta unidade de 101 cv e 205 Nm está associada a caixa manual de 6 velocidades e apresenta-se com o a “porta de acesso” à gama da Jeep. A marca assegura que bloco foi revisto de fio a pavio para proporcionar mais agradabilidade de condução e fiabilidade. Entre as melhorias, distribuição por corrente em vez de correia.
A eletrificação mantém-se entre as bandeiras da Jeep e, no topo da gama, o Avenger dispõe de versão 100% elétrica. O motor tem 156 cv e é alimentado por bateria de 54 kWh de capacidade, combinação que permite reivindicar uma autonomia de até 400 km em ciclo combinado (WLTP). Entre as novidades, adoção da tecnologia V2L (“vehicle-to-load”) para a alimentação de equipamentos externos (obriga à utilização de adaptador e a potência máxima é de 3,6 kW).

Também existem versões híbridas. O 4xe é o expoente máximo da tecnologia, por combinar motor 1.2 a gasolina (136 cv) e duas máquinas elétricas (21,5 cv/28 kW) – uma encontra-se no eixo traseiro, arquitetura que permite dispor de quatro rodas motrizes sempre que as condições de utilizam o exijam. A potência máxima do sistema é de 145 cv. Trata-se de solução muito competente em pisos com aderência precária, uma vez que o motor elétrico traseiro é capaz de libertar até 1900 Nm, por via da inclusão de uma redutora mecânica.
Na Alemanha, num primeiro contacto com o novo Avenger, confirmámos o bom desempenho deste sistema numa série de desafios TT. O 4xe Hybrid supera pisos muito pouco aderentes com uma facilidade que surpreende, uma vez que a gestão da entrega da potência entre os eixos é muito eficaz, tanto em pisos de lama misturada com relva, como na transposição de desníveis. Essenciais para essa competência, os modos de condução Mud, Sand e Snow adaptam a distribuição da energia entre as rodas e o funcionamento dos assistentes eletrónicos. Esta versão é proposta a partir de 35.500 €.

Também conduzimos a versão Hybrid 110 (31.500 €), com motor 1.2 Turbo (100 cv) apoiado por sistema “mild hybrid” (MHEV) de 48 V – integra motor elétrico de 28,5 cv/21 kW) e bateria de 0,9 kWh de capacidade posicionada sob os bancos traseiros. Disponível apenas com caixa automática de dupla embraiagem e 6 velocidades, permite até 1 km de condução em modo elétrico, mas apenas até aos 30 km/h. Se conduzido de forma suave (sobretudo nos modos de condução Normal e Eco), o Avenger é SUV sóbrio e económico. O desempenho do motor elétrico permite respostas prontas sempre que o acelerador é pressionado de forma mais veemente. O Sport otimiza a capacidade de resposta ao acelerador, mas não transforma o Avenger num desportivo e penaliza tanto o consumo, como o refinamento a bordo de modelo que privilegia o conforto de rolamento.
Motorizações e preços das versões mais acessíveis: 1.2 Turbo, 29.500 €; e-Hybrid, 31.500 €; 4xe Hybrid, 35.500 €; Electric: 39.500 €.










