Ayao Komatsu, Chefe da Equipa Haas F1, rejeitou que a presença de Ollie Bearman e Rafael Câmara na Haas na próxima época aproxime a equipa do modelo de colaboração entre a Racing Bulls e a Red Bull. O responsável afirmou que a Haas mantém a sua independência face à Ferrari e mostrou-se confiante na relação entre os dois pilotos.
Questionado por Jan Olejniczak, da Eleven polaca, sobre o papel da Ferrari na escolha dos pilotos, Komatsu distinguiu as duas estruturas. «A forma como a Racing Bulls e a Red Bull Racing estão organizadas é muito, muito diferente da nossa colaboração com a Ferrari. Não temos o mesmo proprietário, somos duas equipas completamente independentes», explicou.
Segundo Komatsu, também não existe entre a Haas e a Ferrari um programa conjunto de gestão de pilotos, ao contrário do que acontece entre as duas equipas da Red Bull. A parceria permite, antes, ter acesso a jovens pilotos e criar oportunidades para os avaliar.
O responsável deu como exemplo a chegada de Bearman. «Essa oportunidade surgiu através da nossa colaboração com a Ferrari. Mas em momento algum a Ferrari nos disse: “Podem ficar com o Ollie como piloto titular?”»
No caso de Rafael Câmara, Komatsu afirmou que a velocidade e o talento demonstrados nas categorias de formação despertaram o interesse da Haas. A relação com a Ferrari permitiu iniciar conversações e organizar um teste com um carro de uma época anterior.
«Perguntámos: “Podemos testar o Rafa?” Concordámos todos, fizemos o teste e ele foi muito, muito rápido. Por isso, escolhemo-lo», afirmou. «Não tenho qualquer preocupação. É apenas uma vantagem da nossa colaboração com a Ferrari termos acesso a esses jovens.»
Confiança e respeito como base da relação entre pilotos
Komatsu também afastou receios de que a competição entre Bearman e Câmara possa criar dificuldades dentro da equipa. Na sua avaliação, Bearman receberá bem um colega capaz de o desafiar.
«O Ollie é uma pessoa extraordinária, um piloto extraordinário, e penso que vai receber muito bem alguém como o Rafa Câmara, para se desafiarem mutuamente», afirmou.
O responsável sublinhou, contudo, que cabe à Haas criar as condições para essa relação funcionar. O objetivo é permitir que os pilotos se pressionem em pista, sem perderem de vista o interesse coletivo.
«Ambos precisam de se desafiar, mas, enquanto colegas de equipa, trabalhamos para a equipa. Isso fica muito claro desde o primeiro dia», explicou, defendendo um ambiente de segurança, confiança, transparência e respeito.
Para sustentar essa posição, Komatsu recordou as dúvidas que lhe foram colocadas quando contratou Esteban Ocon, em particular sobre o comportamento do piloto perante os colegas de equipa.
«Disse: “Se construirmos confiança, transparência e respeito, não vejo qualquer problema.” Não penso que tenham visto problemas», afirmou.
Komatsu mencionou um contacto na época anterior, que situou em Silverstone sem certeza quanto ao local, e outro em Spa este ano. Disse que o primeiro episódio foi esclarecido e que os pilotos mantêm o respeito mútuo e cumprem as instruções da equipa.
«Correm pela equipa. Sejam ordens de equipa ou o que for, cumprem-nas», declarou. «Tudo depende do ambiente que criamos e da confiança e do respeito que construímos em conjunto. Desde que consigamos fazê-lo, não vejo qualquer problema entre o Ollie e o Rafa. Penso que serão excelentes colegas de equipa, a desafiarem-se mutuamente.»










