Pedro Meireles não se afasta muito das críticas à organização, já expressadas por alguns dos seus colegas. Terminou o dia no quinto lugar do CPR, depois de dois furos que, segundo o piloto, lhe custaram cerca de um minuto, e deixou duras críticas ao estado dos troços. Num dia em que diz ter sido preciso ‘sobreviver’ em vez de competir, mostrou-se disponível para levar à FPAK as preocupações dos pilotos, após já ter questionado as condições de participação dos concorrentes do Campeonato de Portugal de Ralis na prova.
AutoSport: Que balanço fazes deste dia?
Pedro Meireles: “Foi um dia bastante complicado. Tivemos dois furos: um na primeira passagem por Ribeira de Pena e outro no último troço. Devemos ter perdido, à vontade, cerca de um minuto com os dois furos.
Possivelmente, estaríamos confortavelmente no quarto lugar. Agora estamos em quinto, numa luta com o Zé Pedro. Mas os ralis são mesmo assim. No estado em que os troços estão, é normalíssimo furar. Aconteceu-me a mim. São as surpresas dos ralis. Mas estou contente com o meu ritmo. Quando consegui andar normalmente, os tempos apareceram. Espero divertir-me mais amanhã do que me diverti hoje.”
AutoSport: Hoje foi sobreviver e não competir?
Pedro Meireles: “Hoje foi completamente sobreviver e não competir. Ainda bem que a segunda passagem por Ribeira de Pena foi anulada, porque aquilo estava completamente impraticável. Passámos por lá em modo de ligação e aquilo era tão mau ou pior do que um troço de todo-o-terreno. São estas situações que têm de ser revistas no futuro.
AutoSport: Os pilotos estão todos muito descontentes com esta situação. Vão juntar-se e falar sobre isso em breve?
Pedro Meireles: “Acho que sim. Por mim, tenho disponibilidade total para nos juntarmos e expormos esta situação à FPAK. Isto não tem jeito nenhum. Como tal, acho que, a bem da modalidade e do campeonato, alguma coisa tem de ser feita.”
Durante a manhã, Pedro Meireles já se tinha queixado: “Acho que esta é uma situação a rever, porque não há verdade desportiva neste aspeto, no que toca ao CPR. Acho que, nestas condições, o CPR não ganha nada em vir a este rali.
É uma questão de organização. Quando se candidata o rali ao Europeu, deve impor-se que os pilotos do Campeonato Nacional integrem a comitiva. Se assim não for, acho que não faz sentido o rali fazer parte do Campeonato Nacional.
Relembro que toda a gente era contra o Rali de Portugal, mas nós, no Rali de Portugal, pagávamos uma inscrição perfeitamente normal e íamos no meio dos WRC2. Portanto, não sei por que razão aqui não podemos ir.
Aqui, temos de pagar uma inscrição exorbitante para o poder fazer. Achamos por bem não pagar. Compreendo que outros o tenham feito, porque estão a lutar pelo título, e acho muito bem: é normal. Não estou a criticar os meus colegas, nem nada que se pareça. Estou, sim, a criticar a falta de organização, porque isto assim não faz sentido.”








