Rúben Rodrigues e Rui Raimundo conquistaram o Rali da Água, ao volante de um Toyota GR Yaris Rally2, somando o quarto triunfo da temporada no Campeonato de Portugal de Ralis. A dupla assumiu a liderança na terceira especial e não mais a largou, terminando a prova com 14,8 segundos de vantagem sobre Ricardo Teodósio e José Teixeira, em Citroën C3 Rally2.
Numa prova marcada por abandonos e contratempos de vários candidatos aos lugares da frente, Rodrigues destacou a capacidade de gerir um rali particularmente exigente. A dupla venceu duas das dez classificativas, mas foi a consistência, aliada à leitura das condições de piso, que permitiu transformar a rapidez demonstrada desde o início num resultado importante na luta pelo título.
“Foi um grande rali para nós desde o início. Mostrámos a nossa velocidade, atacámos quando tínhamos de atacar e fomos gerindo quando tínhamos de gerir”, afirmou Rúben Rodrigues no final da prova ao AutoSport. “Foi um rali extremamente difícil, com classificativas muito sujas, muito difíceis para perceber onde havia aderência ou não. Mas a equipa fez um grande trabalho e o carro esteve sempre irrepreensível.”
O vencedor deixou uma palavra à estrutura técnica responsável pelo Toyota, sublinhando a fiabilidade do carro num fim de semana em que os problemas afetaram vários adversários diretos. “Mais uma vez, a Auto Açoreana Racing, em conjunto com a ARC Sport, fizeram um trabalho fenomenal. Demos aqui mais um passo importante rumo ao nosso objetivo. Agora é pensar já no Algarve e tentar também vencer lá, para que realmente consigamos estar cada vez mais perto daquilo que são as nossas intenções”, explicou.
Rodrigues considera que a evolução face ao primeiro ano do projeto com o Toyota GR Yaris Rally2 tem sido determinante. O açoriano recordou as dificuldades iniciais, tanto pela estreia de um carro novo como pela adaptação ao navegador Rui Raimundo, ao funcionamento da equipa e a classificativas.
“Esse foi um projeto que lançámos há três anos e estamos no segundo ano. O primeiro foi muito difícil para nós: estreámos um carro novo, um navegador novo e a equipa também não conhecia o Yaris”, recordou. “Tivemos muitas dificuldades, quer na afinação, quer eu próprio no conhecimento das classificativas. Ainda hoje posso dizer que sou um dos pilotos do Nacional que tem menos conhecimento das classificativas. É um facto, mas isso só nos leva a trabalhar cada vez mais. Temos trabalhado muito, com o Rui, nas notas e naquilo que é tão importante — a leitura do terreno —, demos um passo bastante grande nesse aspeto.”
O piloto entende que a dupla está agora a colher os resultados desse trabalho, depois de um trajeto iniciado com a ambição de medir forças com os principais nomes do CPR. “Penso que estamos no caminho certo. Temos mostrado a nossa velocidade e a nossa consistência. Tem sido um ano muito, muito bom e muito importante. Temos ganho nas provas em que participámos e, melhor do que isso, é quase impossível.”
Rodrigues explicou ainda que a decisão de apostar num programa nacional resultou da necessidade de se desafiar depois do percurso feito nos Açores. “Quando corria nos Açores, percebi que tinha chegado a uma altura em que ou parava, ou conseguia montar um projeto para me desafiar a mim próprio”, afirmou. “Foi esse o incentivo para vir para aqui, para andar no desconhecido, contra pilotos de renome, multicampeões e pilotos internacionais e mundiais. Chegarmos aqui e colocarmos o nosso nome entre eles é, para mim, um motivo de orgulho e de satisfação.”
Sem se considerar um piloto profissional, Rodrigues fez questão de reconhecer o apoio familiar que lhe permite concentrar-se no projeto desportivo. “Sou apenas um amador, tenho as minhas empresas e tenho dedicado bastante tempo ao rali. Isto também nos faz crescer. Quero agradecer aos meus irmãos, que ficam em São Miguel, nas empresas, enquanto eu fico aqui focado neste desporto e neste sonho que espero alcançar.”
Com quatro vitórias na temporada e mais um triunfo construído numa prova de elevada exigência, Rúben Rodrigues chega ao Algarve numa posição cada vez mais forte. A três ralis do fim do CPR, o açoriano tem agora uma oportunidade clara para dar continuidade a uma campanha em que a regularidade tem sido tão importante quanto a velocidade.
Foto: Zoom Motorsport








