A Stellantis regressou este ano ao Caramulo Motorfestival com uma participação reforçada, marcada por estreias nacionais e mundiais, experiências dinâmicas e um desfile de viaturas produzidas na Fábrica de Mangualde. Apesar dos muitos motivos de interesse que as várias marcas do grupo proporcionaram, foi a Opel a protagonizar um dos momentos mais aguardados do fim de semana: a apresentação mundial ao público do novo Opel Corsa GSE, o Corsa de produção mais potente de toda a história da marca.
A escolha de Portugal, e do Caramulo junta-se à celebração de outro número redondo, os dois milhões de veículos produzidos na fábrica de Mangualde, reforçando o peso crescente da indústria automóvel nacional no ecossistema europeu da Stellantis.
Uma saga que começa em 1988
Para compreender o significado do Corsa GSE, é preciso recuar quase quatro décadas. A sigla GSi (Grand Sport injection) nasceu na Opel em 1984, aplicada primeiro ao Kadett, antes de se tornar a designação de referência para as variantes desportivas de topo da marca alemã. A sua chegada ao Corsa aconteceu em 1987, no Salão de Frankfurt, com a estreia de um motor 1.6 de injeção multiponto que chegaria às concessões europeias já em 1988. O Corsa GSi mostrou-se ao mundo como um citadino de carroçaria exclusiva de três portas, motor de oito válvulas com cerca de 100 cv e 135 Nm de binário, bancos desportivos e jantes de liga leve de 14 polegadas. Era a resposta germânica a rivais como o Peugeot 205 GTI ou o Fiat Uno Turbo, num segmento então em plena ebulição e que nos deu carros icónicos, ainda hoje venerados pelos fãs.
O ADN GSi atravessou as gerações seguintes do Corsa, sempre com o mesmo objetivo: oferecer a versão mais dinâmica e emocionante do citadino mais vendido da Opel.A segunda geração trouxe o Corsa B GSi 16V, com motor 1.6 de 16 válvulas e 109 cv, oferecendo maior binário máximo do que o modelo original. Já o Corsa C GSi, equipado com um motor de 1,8 litros e 125 cv, tornou-se a versão mais rápida e potente da sua era. Mais tarde, ainda durante o ciclo de vida do Corsa D, a Opel adotou a sigla OPC (Opel Performance Center) para as suas variantes de desempenho máximo, culminando na icónica “Nürburgring Edition”, com 210 cv, produção limitada a 500 unidades e chassis afinado na mítica pista alemã que lhe dá nome. Em 2018, a marca retomou formalmente a designação GSi, com um motor turbo 1.4 de 150 cv.

A transição para o GSE: da gasolina à eletricidade
Se o GSi e o OPC representaram décadas de motores de combustão cada vez mais sofisticados, a nova era chama-se GSE — “Grand Sport Electric”. A designação foi introduzida pela Opel para assinalar o topo de gama totalmente elétrico da marca, tendo debutado no Mokka GSE. Se a Opel mantém ainda uma oferta multienergia com opções elétricas e térmicas, as versões mais apimentadas são sempre servidas em versões 100% elétricas.
O novo Corsa GSE segue exatamente esse caminho, tornando-se a continuação direta e natural da linhagem GSi/OPC, mas sem qualquer gota de combustível. É uma transição simbólica tanto quanto tecnológica — o espírito “hot hatch” sobrevive, apenas trocou a explosão de combustão pela resposta instantânea do motor elétrico.
Características do novo Corsa GSE
O Corsa GSE vem equipado com um motor elétrico síncrono de 207 kW (281 cv) e 345 Nm de binário, que o tornam no Corsa mais potente de sempre: 0 aos 100 km/h em apenas 5,5 segundos, com velocidade máxima limitada a 180 km/h. A energia é armazenada numa bateria de iões de lítio de 54 kWh (51 kWh úteis), garantindo até 374 km de autonomia segundo o ciclo WLTP, com carregamento rápido em corrente contínua dos 20% aos 80% em cerca de 27 minutos.
Tecnicamente, o modelo introduz um diferencial autoblocante mecânico Torsen na tração dianteira, associado a um chassis desportivo rebaixado, com eixos, barras estabilizadoras e batentes hidráulicos específicos, e afinação exclusiva da direção e dos pedais. A travagem fica a cargo de pinças Alcon de quatro pistões, pintadas a amarelo com a inscrição “GSE”, montadas sobre jantes de 18 polegadas calçadas com pneus Michelin Pilot Sport 4S (215/40 R18).
Três modos de condução — Sport, Normal e Eco — adaptam o comportamento do carro à situação, e um som interior desportivo ativo, desenvolvido em Rüsselsheim especificamente para este modelo, torna a aceleração audível para condutor e passageiros.
No plano estético, o Corsa GSE distingue-se por para-choques exclusivos, guarda-lamas alargados, tejadilho em preto carbono e spoiler traseiro preto, num forte contraste com a pintura metalizada Branco Kontur.
No interior, bancos desportivos em tecido e Alcantara, com padrão axadrezado retro em preto, cinzento e amarelo, cintos de segurança amarelos e volante em Alcantara reforçam a herança “hot hatch” da marca.
O equipamento tecnológico inclui um ecrã digital de 7 polegadas, um ecrã tátil central de 10 polegadas e visores específicos GSE com dados de força G e gestão de bateria. Além da diversão, o modelo germânico não esqueceu as necessidades práticas do dia-a-dia, com o volume de carga a variar entre 267 e 1.042 litros. O preço de campanha em Portugal arranca nos 39.990 euros, preço de campanha, com IVA incluído.

A apresentação no Caramulo Motorfestival
Foi precisamente este modelo que a Opel escolheu apresentar ao público mundial pela primeira vez no Caramulo Motorfestival 2026, um dos momentos mais relevantes do calendário de lançamentos da marca este ano. No espaço de exposição, os visitantes puderam contemplar a evolução do legado “pocket rocket” da Opel através da presença conjunta do histórico Corsa A GSi e do novo Corsa GSE — a primeira e a mais recente geração de uma mesma filosofia, frente a frente, separadas por quase quatro décadas de engenharia.
A marca não se limitou à exposição estática. Através da ativação “OMG! GSE: do virtual à adrenalina real”, os visitantes puderam assumir o volante do Corsa GSE Vision Gran Turismo em dois simuladores de condução, com a oportunidade de ganhar acesso às exclusivas experiências de Co-Drive da Opel. Estas realizaram-se a bordo do Mokka GSE, também de 281 cv e diretamente inspirado no programa Opel Motorsport, com a mestria do piloto de ralis Ricardo Sousa.

O veículo dois milhões da fábrica de Mangualde
O Caramulo Motorfestival coincidiu, ainda, com outro marco histórico para a indústria automóvel portuguesa: a fábrica da Stellantis em Mangualde atingiu, a 2 de setembro, os dois milhões de veículos produzidos desde o início da sua atividade. A viatura simbólica que assinalou esta conquista foi um Citroën ë-Berlingo Van cinzento, na edição especial “Berlingo 30 anos”, destinado a um cliente da região de Leiria.

Fundada em 1962 sob a designação de Citroën Lusitânia, a unidade iniciou produção em 1964 com o lendário Citroën 2CV AZL, tendo fabricado, a 27 de julho de 1990, o último 2CV do mundo. Hoje produz veículos comerciais ligeiros e de passageiros, térmicos e elétricos, para quatro marcas do grupo — Peugeot, Citroën, Opel e Fiat —, empregando diretamente 900 colaboradores e gerando mais de mil postos de trabalho indiretos. Em 2025, a fábrica bateu o seu recorde histórico com 91.670 veículos produzidos, mantendo atualmente um ritmo de 372 veículos por dia em três turnos, com 95% da produção destinada à exportação — representando 27% de todos os veículos fabricados em Portugal.
“Atingir o marco dos 2 milhões de veículos produzidos é um testemunho vivo do rigor, da paixão e do empenho de várias gerações de colaboradores em Mangualde”, afirmou Múcio Brasileiro, Diretor do Centro de Produção de Mangualde da Stellantis, sublinhando o papel da unidade portuguesa na liderança da transição para a mobilidade elétrica do grupo. Mangualde foi, de facto, a primeira fábrica em Portugal a produzir veículos elétricos a bateria em grande série, tanto de passageiros como comerciais ligeiros, consolidando-se como referência nacional em mobilidade sustentável.

Entre a estreia mundial de um citadino elétrico com quase 40 anos de herança desportiva e a celebração de dois milhões de viaturas made in Portugal, o Caramulo Motorfestival 2026 confirmou-se como palco de convergência entre a história e o futuro da Opel — e, por extensão, da própria indústria automóvel portuguesa.










