Não é um tema novo, e todos os anos a Ferrari revela dificuldades na execução das corridas. Seja por erros estratégicos, seja por indecisões, é recorrente ouvir os pilotos queixarem-se. Em Zandvoort, voltou a acontecer, e Lewis Hamilton não ficou nada contente.
A Ferrari começou esta segunda metade do ano com atualizações e um ritmo encorajador ao longo do fim de semana. Apesar de a Mercedes e a McLaren terem parecido sempre as mais rápidas em ritmo puro, a Ferrari nunca evidenciou uma diferença de andamento tal que justificasse descartar a Scuderia da luta pela vitória. Aliás, o stint de Charles Leclerc com os pneus macios, que valeu o segundo lugar na corrida Sprint, mostrou uma gestão de pneus impressionante, que abria boas perspetivas para a corrida de domingo. Mas esse potencial acabou por não se materializar, ficando praticamente esquecido, com a insatisfação de Lewis Hamilton a ganhar protagonismo. O britânico terminou em quarto, mas sentiu que poderia ter conseguido algo mais da corrida.

O descontentamento de Hamilton
A certo ponto da corrida, o #44 ficou atrás de Charles Leclerc (quinto no final da corrida), mas o ritmo do britânico era mais forte. Leclerc estava mais lento, e a equipa não avançou de forma decidida com ordens de equipa. A Ferrari pediu a Leclerc para entrar nas boxes para uma troca de pneus, mas o piloto manteve-se em pista nessa volta, indo às boxes apenas depois. Com isso, Hamilton perdeu tempo valioso que o afastou dos primeiros lugares.
No final da corrida, a insatisfação de Hamilton era óbvia:
“Quero ganhar. Quero ganhar, estou aqui para ganhar. É difícil quando estou a olhar para a frente e vejo os dois pilotos da Mercedes. Eles recebem a ordem e está feito, e executam de imediato. Deixaram o Kimi passar e deixaram-no seguir com a corrida. Eu estava numa estratégia diferente, e não é a mesma coisa aqui [na Ferrari]. Isso é um pouco difícil, mas vamos ter de falar disso em privado.”
“Pareceu-me que foi a oportunidade mais próxima que tive. Não sei se conseguiríamos passar ou não, porque a Mercedes é simplesmente muito rápida. Estávamos a perder quatro décimas por volta só na reta, por isso foi um desafio, mas acho mesmo que o tempo foi perdido quando estive atrás do Charles… o que, no fim de contas, significou que tinha uma distância maior para percorrer para tentar apanhar o George.”
Stepping into a rest week🚶♂️ pic.twitter.com/EKdofi7NEq
— Scuderia Ferrari HP (@ScuderiaFerrari) August 24, 2026
A justificação de Leclerc
Já do lado de Charles Leclerc, o discurso era, compreensivelmente, diferente:
“Tive uma primeira parte da corrida muito boa. Tive de parar mais cedo para tentar fazer um undercut aos pilotos à minha frente e, por vezes, isso é um pouco um jogo de equipa. Para isso, é preciso arriscar um pouco, especialmente na primeira parte da corrida. O Lewis esteve muito forte na segunda parte, mas é assim que as coisas são. Acho que, por vezes, fico frustrado; outras vezes, é o Lewis que fica frustrado, mas é assim que as coisas são. Não creio que tenha havido grande discussão. No início, pediram-me para parar e, depois, no fim da volta, pediram-me para continuar em pista, o que fiz; e, na volta seguinte, pediram-me para parar.”
Smart work from Charles 👏
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Leclerc goes wheel to wheel with Piastri and gets past the Aussie ⚔️#F1 #DutchGP pic.twitter.com/wAZC0IN0rW
Hamilton feliz com atualizações, mas quer mais
Apesar do desconforto, há uma nota positiva: as atualizações que continuam a chegar do lado da Ferrari, com Hamilton a destacar o feito, apesar de pedir mais potência:
“A única coisa que quero acrescentar é que estou definitivamente muito orgulhoso da equipa — trouxeram uma evolução aqui este fim de semana. Estamos a aproximar-nos deles, mas em metade da época temos estado com défice de potência, por isso realmente precisamos de ganhar potência se quisermos, sequer, aproximar-nos de lutar com eles e fechar a distância.”
Foto: MPSA









