O Autódromo do Estoril vive um momento contraditório. Segundo Ni Amorim, presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), a gestão atual trouxe uma “evolução positiva” ao circuito, mas o futuro da infraestrutura permanece em risco sem um investimento sério e de longo prazo, numa altura em que o autódromo já perdeu grau de homologação junto da FIA.
De acordo com o presidente da FPAK, em declarações ao AutoSport por altura das corridas de Vila Real, o Estoril passou a contar com uma nova equipa de gestão, que considera “melhor do que a anterior” e mais aberta ao diálogo. Esta mudança representa, na sua avaliação, uma evolução positiva no presente do autódromo. O cenário altera-se, no entanto, quando se olha para o futuro. Amorim é categórico ao afirmar que o circuito não tem viabilidade a longo prazo sem investimentos significativos que permitam manter um grau de homologação relevante. O presidente da federação aponta problemas estruturais concretos: uma pala em risco de queda, uma bancada fechada situada em frente ao pódio e infiltrações de água nos edifícios durante o inverno.
Sobre o estado atual do autódromo, Ni Amorim resume: “Não está tudo na mesma. Tem uma nova equipa de gestão, que é melhor do que a anterior, e está com outro espírito de abertura, a trabalhar com os promotores — portanto houve uma evolução positiva. Se estamos a falar do presente, o Estoril está melhor. Se estamos a falar do futuro, está tudo mal.”
“O autódromo não tem futuro sem haver investimentos sérios que permitam continuar a ser homologado num grau significativo. Tem de haver investimento, alguém — eventualmente um fundo de investimento ou um privado — que queira ver aquilo com um investimento de longo prazo. Temos uma pala que pode cair. Temos uma bancada fechada e o pódio em frente a essa bancada. Temos problemas estruturais nos edifícios; no meio do inverno já se infiltra água.”
“Nada que a Parpública não saiba, até porque tenho acompanhado a situação junto da Parpública ao longo dos últimos dois ou três anos com bastante intensidade e com bastantes reuniões — portanto eles sabem o que nós pensamos. Estamos dispostos a ajudar no que for necessário.”
Circuito deixou de ter homologação Grau1
Quanto à questão da homologação, o Estoril já sofreu uma descida efetiva: perdeu o Grau 1 e está atualmente homologado em Grau 2. Apesar disso, Amorim minimiza o impacto imediato desta descida, uma vez que nenhuma prova atualmente disputada em Portugal exige homologação de grau um. Ainda assim, reconhece o impacto simbólico da perda, associando o grau um ao prestígio de um circuito considerado icónico.
“A médio e longo prazo, sim [há risco de perder mais homologação]” disse Ni Amorim. “Já perdeu — está homologado em Grau 2, e já esteve em Grau 1. Quem veio fazer a homologação apontou o caminho para que regresse a Grau 1. Sinceramente, não nos afeta estar em grau dois neste momento, porque não temos nenhuma prova que venha a Portugal, ao Estoril, que exija Grau 1. Se me perguntar se é bom ou mau, é mau, porque é um prestígio ter um circuito icónico com homologação em Grau1 e não em Grau 2. E perdeu recentemente — há três ou quatro meses — por isso é importante realçar isso.”









