Miguel Cristóvão está a viver uma estreia de elevado nível no Lamborghini Super Trofeo Europe, tendo já conquistado dois pódios na classe Pro-Am depois de três rondas disputadas. Aos comandos de um Lamborghini Huracán Super Trofeo EVO2 da Vincenzo Sospiri Racing, que partilha com o francês Paul Levet, o piloto de Lisboa tem demonstrado um andamento que lhe permite discutir regularmente as posições cimeiras num dos troféus monomarca mais competitivos do panorama internacional. A evolução surge depois de um percurso anterior de destaque em GT4 e LMP3, categorias onde já tinha conquistado vitórias e títulos.
O início da temporada foi marcado por uma preparação limitada, com apenas uma sessão de testes antes da primeira ronda em Paul Ricard, o que se revelou insuficiente para uma adaptação total às exigências do Lamborghini. Ainda assim, a dupla esteve na frente da corrida da sua classe e terminou as duas provas inaugurais no quarto lugar. Em Imola, já depois de um teste de preparação, a competitividade aumentou de forma evidente: a dupla alcançou o segundo lugar numa das corridas, resultado depois condicionado por uma penalização nos procedimentos de box, enquanto na segunda prova chegou a liderar a geral a partir da pole-position, até que uma sucessão de contactos durante o segundo turno impediu um resultado de destaque.

A evolução ganhou expressão definitiva em Spa-Francorchamps, onde a dupla conquistou dois pódios na Pro-Am, com um segundo e um terceiro lugar. Segundo Miguel Cristóvão, esta progressão reflete o trabalho desenvolvido desde o início da temporada e a aprendizagem acumulada num carro com características muito distintas das que estava habituado. O piloto resumiu o percurso ao longo das três rondas da seguinte forma: “Em Paul Ricard, apesar de termos andado na frente da corrida na nossa categoria, fizemos dois quartos lugares e não posso dizer que tenha corrido muito bem, porque senti que não estava totalmente preparado. Em Imola já fizemos um treino antes da prova e estávamos muito fortes. Em Spa conseguimos finalmente concretizar esse andamento com um segundo e um terceiro lugar.” Cristóvão sublinhou ainda a confiança na trajetória da equipa, considerando que “a vitória está cada vez mais próxima”, sendo esse o principal objetivo da dupla.
Parte da adaptação do piloto está relacionada com as características específicas do Lamborghini Huracán Super Trofeo EVO2, um carro com potência elevada, mas com carga aerodinâmica inferior à de um LMP3, exigindo por isso uma abordagem diferente na forma de transportar velocidade em curva e de aplicar a potência à saída das curvas. Cristóvão detalhou essa diferença técnica: “O Super Trofeo é quase como um GT4 mais evoluído, mas com uma grande potência, e essa potência exige alguma habituação para conseguirmos colocá-la no chão sem ativar demasiado o controlo de tração. A condução passa muito por fazer o carro rodar em curva e conseguir ter a direção direita o mais cedo possível, para que possamos sair com a máxima tração.” O piloto reconheceu que estas são técnicas bastante diferentes daquelas a que estava habituado, exigindo tempo de adaptação.
A evolução do piloto português tem sido também sustentada pelo contexto encontrado na Vincenzo Sospiri Racing e pela parceria com Paul Levet. A estrutura italiana, ligada à Lamborghini e com vasta experiência no Super Trofeo e nas competições GT3, tem proporcionado um enquadramento de elevado nível, enquanto Levet tem assumido um papel importante na exploração das potencialidades do carro. Cristóvão elogiou o apoio recebido: “É uma equipa ‘Factory Supported’ da Lamborghini, que compete em vários campeonatos de GT3 e que conhece muito bem o Super Trofeo, onde já conquistou títulos. É uma estrutura que dá bastante apoio e tem muita experiência.” Sobre o companheiro de equipa, destacou ainda que Levet “tem estado num nível muito elevado” e lhe “tem dado muito apoio”, inclusive na forma de tirar o melhor partido do carro.

Com a segunda metade da temporada pela frente, o piloto encara com confiança renovada as rondas de Nürburgring, Barcelona e Monza. Cristóvão detalhou a preparação específica para cada uma destas provas: “Nürburgring é um circuito onde corri uma vez, em 2018, e tenho treinado no simulador para chegar mais preparado. Barcelona é uma pista que conheço muito bem e acredito que aí podemos estar muito fortes. Em Monza vamos ter ainda um dia de testes e é um circuito que a equipa conhece muito bem, onde temos boas afinações.” O piloto reconheceu, no entanto, que os incidentes em pista podem continuar a assumir um papel determinante nos resultados, ainda que a expectativa seja “começar a ganhar corridas”.
A experiência no Lamborghini Super Trofeo está também a abrir novas perspetivas de carreira para Cristóvão, depois de o seu andamento ter despertado o interesse da própria Lamborghini e da Vincenzo Sospiri Racing, que lhe proporcionaram a oportunidade de testar um Lamborghini GT3 após a ronda de Nürburgring. O piloto explicou o contexto desta oportunidade: “Vou testar um Lamborghini GT3 a convite da equipa, porque a Lamborghini tem interesse em pilotos fortes e rápidos na categoria Bronze. É uma oportunidade que surgiu precisamente por estar nesta equipa e pelo reconhecimento do meu valor, não apenas pelos resultados, mas sobretudo pelo andamento que temos demonstrado.” Segundo Cristóvão, esta oportunidade pode abrir outras portas, eventualmente para competir num GT3 numa boa equipa na próxima temporada, ou permitir-lhe preparar melhor o próximo Super Trofeo, que contará com um carro novo e ainda mais rápido.










