Qual o preço do sucesso? Este pode ser, talvez, o tema da McLaren em 2026. Depois de um bicampeonato que já não acontecia desde os anos 90, a equipa entrou na nova era regulamentar a pagar o preço de ter trabalhado até ao fim em busca do título de construtores e de pilotos em 2025. A Red Bull pressionou a equipa de Woking até ao fim e isso impediu que a equipa se focasse de forma mais intensiva no projeto deste ano. Com isso, a McLaren começou com algumas dificuldades, mas já dá mostras de recuperação.
Arranque afastado do topo
A McLaren começou bem o ano com 817 voltas nos testes e 4.422 km entre Lando Norris e Oscar Piastri. Em termos de ritmo, esteve sempre no grupo da frente sem se destacar isoladamente. Andrea Stella resumiu a leitura competitiva admitindo que “Ferrari e Mercedes parecem ser as equipas a bater”, com a McLaren “não muito longe”, mas sem a vantagem mostrada pelas rivais.
O diagnóstico de Stella para as dificuldades da equipa foi surpreendentemente direto: o défice em relação à Mercedes situava-se entre três e quatro décimas por volta. As perdas eram de cerca de 70% nas curvas, ligado à aerodinâmica do chassis, e 30% nas retas. Como o próprio explicou: “quando falamos do nosso défice para a Mercedes, tem sido sempre entre três e quatro décimas; surge predominantemente nas curvas, provavelmente 70% nas curvas e 30% nas retas.”
A questão da unidade motriz também foi colocando desafios aos engenheiros, com a McLaren a não conseguir tirar tanto partido do hardware fornecido pela Mercedes, comparando com a própria Mercedes. A McLaren foi descobrindo alguns truques que a Mercedes usava, o que não colocou em causa a relação entre fornecedor e cliente, mas que deixou evidente que a McLaren procurava mais desempenho desse lado, o que levou inclusive à criação de uma divisão exclusivamente dedicada em retirar performance da unidade Mercedes.

A fiabilidade agravou o quadro desde o início da temporada. Na China, Norris e Piastri não conseguiram completar uma volta sequer, devido a duas falhas elétricas distintas e não relacionadas na bateria do sistema híbrido do motor Mercedes — um problema que a própria equipa classificou como “excecional” . A fiabilidade foi outra das dores de cabeça da equipa, apesar de ter melhorado ao longo da primeira metade da temporada.
A McLaren estava longe dos primeiros lugares, mas, tal como já tinha feito em épocas anteriores, manteve o trabalho diligente e foi implementado melhorias que começara a surtir efeito. A recuperação começou a desenhar-se com um pacote de atualizações significativo introduzido a partir de Miami e do Canadá, e culminou na vitória de Norris na Hungria — a primeira da equipa em 2026.
A McLaren termina a primeira metade da temporada em terceiro lugar do Mundial de Construtores, com 220 pontos — 159 atrás da líder Mercedes e 87 atrás da Ferrari, segunda classificada.

Norris mais sólido, Piastri à procura da melhor forma
Lando Norris tem sido, de forma consensual, o piloto mais forte da dupla nesta primeira metade da temporada, apesar de não ter tido o carro para defender a coroa que conquistou em 2025. O britânico lidera o confronto direto com Oscar Piastri por 128 a 92 pontos e mostra-se satisfeito com a sua própria condução, mesmo sem liderar o campeonato: “Em termos da minha condução e do meu desempenho como piloto, honestamente estou muito satisfeito. Sinto que tenho feito um bom trabalho a maximizar o potencial do carro. Sinto que conduzi melhor nesta metade da temporada do que provavelmente fiz até este ponto no ano passado, até certo grau, mas infelizmente não estou a liderar o campeonato”. Norris conta com 2 pódios e uma vitória numa temporada em crescendo onde tem aproveitado a grande maioria das oportunidades.
Já Piastri está muito longe do nível que evidenciou no arranque da temporada anterior. O australiano conquistou dois pódios (Japão e Miami), mas a falta de ritmo em comparação com o colega de equipa é evidente e viu-se claramente em Hungaroring. O australiano procura ainda a melhor forma, algo que tenta fazer desde meio da temporada passada em que perdeu andamento e, com isso, o comboio do título. Os rumores de uma potencial substituição por Max Verstappen poderão também pesar, apesar de ter muito mercado na grelha da F1.

São uma das duplas mais fortes da atualidade, com Norris em vantagem e Piastri à procura de mais e a McLaren a querer aproximar-se do topo, sabendo que é habitualmente forte na “guerra de atualizações”, que este ano ganha ainda mais peso. Hungria trouxe o primeiro sinal verdadeiramente positivo. Resta saber se foi algo pontual ou o começo de uma segunda metade mais forte.
Notas
- McLaren – Nota 6
- Lando Norris – Nota 8
- Oscar Piastri – Nota 6
Fotos: Philippe Nanchino /MPSA










