Não consegue comprar um Ferrari novo antes de 2028 — procura supera oferta em Maranello
A procura por automóveis da Ferrari continua a superar enormemente a capacidade de produção da marca italiana, ao ponto de, neste momento, ser quase impossível garantir a entrega de um carro novo antes de 2028! A carteira de encomendas apresenta-se preenchida até ao final de 2027, facto que confirma o sucesso da estratégia deliberada de escassez controlada na base da exclusividade e da rentabilidade do fabricante de Maranello, Itália.
A administração da Ferrari, mesmo expondo-se às críticas dos adeptos mais puristas, que aumentaram de intensidade após a apresentação do Sport Utility Vehicle (SUV) Purosange e, sobretudo, depois da estreia mundial do primeiro automóvel elétrico da marca, o Luce, manifesta-se muito satisfeita com o desempenho de fabricante que mantém níveis de procura excecionais, principalmente por parte de clientes com elevado poder financeiro.

Esta capacidade notável de transformar exclusividade em valor económico é ainda mais importante em períodos conturbados como os que vivemos. No caso da Ferrari, no primeiro semestre do ano, recuo pouco expressivo de 4,4% (menos 157 unidades) nas vendas de automóveis novos, comparativamente ao mesmo período de 2025, com os italianos a entregarem 6802. A marca, recorda-se, não abdica da estratégia de limitação da produção anual a cerca de 14.000 automóveis – o recorde de 13.752 carros registou-se em 2024. Esta fórmula garante que a oferta é sempre inferior à procura, o que reforça o posicionamento elitística da marca e o desejo de compra de cada modelo.
Entre os automóveis mais bem-sucedidos no catálogo da marca do cavallino rampante, Amalfi, 849 Testarossa e 12Cilindri. E todos continuam a atrair clientes disponíveis para integrarem listas de espera de vários anos – na maioria dos construtores, os compradores nunca admitiriam sequer esta possibilidade. Já a Ferrari transforma exclusividade em desejo e paciência em luxo. Isto prova-se, igualmente, na rentabilidade por unidade vendida e nos níveis de personalização, combinação responsável por margens de lucro muito robustas, devido à otimização do valor de cada carro.

Os superdesportivos equipados apenas com motores de combustão interna continuam a representar cerca de 70% das vendas da marca italiana, demonstrando que o apelo emocional das mecânicas térmicas ainda é dominante. No entanto, os 30% com tecnologias híbridas também confirmam que a estratégia multienergia da Ferrari está a ser implementada de forma gradual, mas muito eficaz.










