Por Pedro Junceiro
O Destrier é a terceira superprodução criada ao abrigo do programa de projetos especiais Programme Solitaire da Bugatti e transforma o Bolide, máquina concebia, originalmente, para uma utilização apenas em pista, num exercício de elegância sofisticada e, sobretudo, “domesticada”. Este “one-off” (apenas uma unidade) tem inúmeros detalhes personalizados que refletem não só os desejos do cliente que encomendou o carro, como a herança histórica da marca francesa. A apresentação formal está marcada para dia 16, durante a prestigiada Semana do Automóvel de Monterey, na Califórnia (EUA).
Desenvolvido a partir do Bolide, o Destrier distingue-se por uma abordagem estética mais refinada e sofisticada, reinterpretando um hipercarro extremo sob uma perspetiva mais escultural. O nome, inspirado nos cavalos de guerra medievais, símbolos de nobreza, força e prestígio, traduz a filosofia deste projeto: agressividade e potência controladas por uma elegância rara. Com apenas um metro de altura, este é um dos Bugatti mais baixos de sempre, facto que reforça o impacto de uma silhueta extremamente compacta. As jantes específicas de 20’’ nas rodas dianteiras e 21’’ nas traseiras contrastam com as de 18’’ do Bolide, o que contribui para uma presença na estrada ainda mais imponente.

Ao contrário das anteriores criações da série Solitaire (Brouillard e F.K.P. Hommage), que privilegiavam narrativas mais emocionais, o Destrier centra-se no “design”, que também está profundamente enraizado na história da Bugatti. Um exemplo disso é a inspiração no chassis do Type 57, base dos lendários Type 57G Tank e Type 57C, carros vencedores das 24 Horas de Le Mans em 1937 e 1939, respetivamente. Esta ligação histórica é eternizada através de uma placa comemorativa gravada a laser, posicionada acima do para-brisas, onde também surge a referência ao icónico Type 57SC Atlantic.
Mantendo a estrutura monocoque em fibra de carbono, o Destrier introduz linhas mais elegantes e suaves, reinterpretando elementos do Bolide com maior sofisticação. A icónica grelha em ferradura surge mais ampla, enquanto a asa traseira passa a estar integrada na carroçaria, evocando a silhueta do Chiron Profilée. A zona posterior das portas apresenta uma cintura mais estreita que se alarga sobre os guarda-lamas traseiras, numa clara evocação da musculatura de um cavalo – este detalhe reforça a temática equestre do modelo.
A pintura exterior Sapphire Celeste, exclusiva e aplicada em múltiplas camadas, foi desenvolvida especificamente para este carro, e combina-se com detalhes em alumínio polido que criam um contraste sofisticado. Esta escolha cromática remete para a história da marca, nomeadamente para o chassis 57591 do Type 57SC Atlantic (originalmente, este Bugatti era azul). A fibra de carbono exposta apresenta-se de forma criteriosa no “splitter” dianteiro e no difusor traseiro, enquanto os elementos cromados do compartimento do motor apresentam um acabamento martelado, evocando as armaduras medievais trabalhadas à mão.

Os grupos óticos dianteiros e traseiros adotam padrões paramétricos contemporâneos, reforçando o carácter tecnológico do modelo. Já a tampa do depósito de óleo, elemento distintivo da série Solitaire, ostenta o emblema Destrier e a designação “1/1”, sublinhando a exclusividade absoluta deste automóvel. Em termos mecânicos, mantém-se o impressionante motor W16 8.0 quadriturbo com 1600 cv, mecânica herdada do Bolide.
No interior, o Destrier abandona o ambiente espartano do Bolide e tem um habitáculo muito personalizado que sobressai pelo requinte. A seleção de materiais foi cuidadosamente definida pelo proprietário, combinando pele e couro em Ambre Voyageur com um inovador tecido de malha 3D. Este material, inspirado na alta-costura e no vestuário técnico, permite criar superfícies tridimensionais sem costuras, elevando os níveis de conforto e sofisticação.
O acabamento martelado dos elementos exteriores repete-se no habitáculo em pontos-chave de contacto, como o puxador da porta, as saídas de ventilação, o centro do volante e a placa de entrada. Como homenagem às origens da marca, existe uma discreta bandeira francesa no centro do interior.
Frank Heyl, Diretor de Design da Bugatti, descreve o Destrier como “um automóvel que não se compreende com a cabeça, mas se sente com o coração”, acrescentando que “o Bolide proporcionou as proporções mais extremas alguma vez criadas pela marca e, ao libertá-las da exigência aerodinâmica da força descendente, permitimos que se expressassem como pura escultura”.










