Do inferno de 2025 à esperança de uma nova era. A Alpine deixou para trás o rótulo de pior equipa, para se juntar às lutas do meio da tabela, proporcionando um dos duelos mais interessantes das primeiras 11 jornadas. O trabalho bem-feito, aproveitando o desinvestimento na última época da geração anterior de carro e a chegada da Mercedes como fornecedora de unidades motrizes catapultaram a Alpine para lutas mais interessantes e emocionantes.
Depois de terminar 2025 na última posição do Mundial de Construtores, com apenas 22 pontos, a Alpine tomou uma decisão estratégica arriscada: interrompeu o desenvolvimento do A525 ainda a meio do ano para concentrar todos os recursos em 2026, abandonando ainda o projeto do motor Renault próprio a favor da unidade motriz Mercedes. Flavio Briatore, que regressou ao leme da equipa de Enstone, assumiu pessoalmente a responsabilidade por essa mudança de motor, uma decisão que classificou como condição para o seu próprio regresso à Fórmula 1: “Nunca teria voltado à Fórmula 1 se não tivesse a oportunidade de ter um motor ao nível das equipas de topo”.

Época de luta intensa
A aposta pareceu compensar de imediato. Os bons resultados foram-se acumulando, especialmente graças a Pierre Gasly. O ponto mais alto chegou em Mónaco, com um pódio de Gasly, inicialmente anulado por duas penalizações de cinco segundos por excesso de velocidade no pit lane, mas depois restituído pela FIA após recurso apresentado pela própria Alpine.
Foi a partir daí que a maré começou a virar. Entre o Canadá e a Bélgica, a Racing Bulls foi reduzindo a diferença corrida após corrida até ao empate total, com 61 pontos cada, à entrada da pausa de verão. O golpe final chegou na Hungria: Gasly terminou 12º e Colapinto 15º, sem qualquer ponto, o que empurrou a Alpine para o sexto lugar, atrás da Racing Bulls.

Gasly consolidado, Colapinto sob pressão
Pierre Gasly mantém-se como um dos valores mais seguros da grelha. Um piloto rápido, fiável e que marcou pontos nas primeiras sete corridas do ano. Apenas nos GP da Áustria e da Hungria ficou fora do top 10, as mesmas corridas em que a equipa ficou a zeros. Gasly é a referência da equipa e o garante de resultados e estabilidade.
Franco Colapinto vive uma situação bem mais incerta. Apesar de mostrar mais do que em 2025, a diferença para Gasly é muito grande. Colapinto tem 19 pontos, contra os 42 pontos de Gasly. A evolução do argentino é clara, mas ainda insuficiente para chegar ao nível do colega de equipa.
A Alpine entra na pausa de verão na luta com a Racing Bulls pelo top 5, numa das lutas que mais promete na segunda metade da temporada.

Notas
- Alpine – Nota 6
- Pierre Gasly – Nota 7
- Franco Colapinto – Nota 5
Fotos: MPSA








