No ponto intermédio da temporada de 2026 do Campeonato do Mundo de Ralis, a Toyota Gazoo Racing ostenta uma hegemonia que deixa a concorrência sem argumentos. Ao longo das primeiras sete rondas, a formação nipónica venceu seis ralis, preencheu 18 dos 21 lugares de pódio absolutos possíveis e cavou uma impressionante vantagem de 127 pontos sobre a Hyundai Shell Mobis na tabela de construtores.
A superioridade traduz-se de igual forma no campeonato de pilotos, com a Toyota a monopolizar os cinco primeiros lugares da classificação: Elfyn Evans lidera com 151 pontos, seguido por Takamoto Katsuta (131), Oliver Solberg, Sami Pajari e o campeão em título Sébastien Ogier.
Sucesso imediato e triunfos históricos na neve e na savana
A reestruturação da equipa para 2026, marcada pela promoção de Oliver Solberg e pela afirmação de Sami Pajari, obteve dividendos imediatos. Solberg abriu as hostilidades com um triunfo histórico no Rali de Monte-Carlo, tornando-se o mais jovem vencedor da prova na era moderna, encabeçando um pódio integral da marca. Logo a seguir, na Suécia, Evans liderou um avassalador domínio que resultou num inédito “pleno” nos quatro primeiros lugares sobre a neve.
O Rali Safari, no Quénia, trouxe a primeira grande reviravolta emocional. Apesar de Evans, Solberg e Ogier terem enfrentado contratempos no sábado, Takamoto Katsuta evitou os erros para garantir a sua primeira vitória de sempre no WRC.
O piloto tornou-se apenas o segundo japonês a vencer no mundial e, quatro semanas mais tarde, repetiu o triunfo no Rali da Croácia, ascendendo de forma inédita ao topo do campeonato.
Após nova demonstração de força com nova tripla no pódio das Ilhas Canárias, liderada por Ogier, o Rali de Portugal acabou por ser a única prova a escapar ao registo da marca, devido a furos tardios de Ogier e Pajari. Contudo, a resposta surgiu em casa, no Rali do Japão, com nova goleada (1.º, 2.º, 3.º e 4.º lugares) capitaneada por Evans, que celebrou o seu 50.º pódio na carreira.
Consistência mecânica e o desafio da gestão interna
A fiabilidade do GR Yaris Rally1 tem sido fulcral para este sucesso em qualquer superfície, desde a lama do Quénia ao asfalto técnico do Japão, onde o modelo alcançou a marca histórica de 50 vitórias consecutivas em classificativas em piso selado.
A consistência de Evans contrasta com a rapidez irreverente de Solberg e com a evolução silenciosa de Pajari, que somou cinco pódios nas últimas seis provas. Embora Ogier dispute um programa parcial, mantendo-se em quinto no mundial, a sua rapidez continua a influenciar o rumo dos acontecimentos.
Com o campeonato prestes a regressar à terra no exigente Rali Acrópole, na Grécia, entre 25 e 28 de junho, o maior desafio da equipa liderada por Jari-Matti Latvala poderá ser interno. Numa fase em que todos os seus pilotos pontuam entre si, a gestão da liberdade competitiva sem beliscar a harmonia do coletivo ditará quem converterá esta supremacia num título mundial.








