Fecho temporário de espaços aéreos em Doha e Dubai obriga equipas a alterar rotas para Melbourne
A Fórmula 1 está a tentar proteger o arranque da temporada de 2026, depois de uma escalada militar no Médio Oriente ter provocado perturbações significativas no tráfego aéreo a poucos dias do Grande Prémio da Austrália, em Melbourne. O impacto logístico atinge sobretudo a deslocação de pessoal e carga a partir do Golfo, onde várias equipas permaneceram após os testes de pré-época no Bahrein.
A 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel realizaram ataques conjuntos contra o Irão, desencadeando retaliações com mísseis dirigidas a instalações norte-americanas e aliadas no Qatar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein. Na sequência destes acontecimentos, importantes “hubs” aeroportuários, incluindo Doha e Dubai, encerraram temporariamente o espaço aéreo, forçando equipas e responsáveis do campeonato a redefinir planos de viagem com urgência.
Cerca de 2000 elementos em trânsito; rotas alternativas sob forte pressão
Estima-se que cerca de 2000 profissionais ligados à Fórmula 1 estejam atualmente em trânsito, muitos provenientes do Bahrein. As ligações alternativas via Singapura e Hong Kong registam procura elevada, enquanto alguns optaram por voos diretos para Perth, com ligação interna subsequente até Melbourne. A Ferrari recorreu a um voo charter, com reabastecimento em Singapura, para garantir a chegada atempada do seu pessoal, uma estratégia que outras equipas também terão adotado.
A Federação Internacional do Automóvel (FIA) indicou estar a acompanhar a evolução da situação. As próximas três provas do calendário — Austrália, China e Japão — decorrem fora da região afetada, embora as corridas no Médio Oriente possam vir a ser condicionadas se a instabilidade persistir.
Bahrein e Arábia Saudita em risco; teste da Pirelli cancelado
As provas no Bahrein (12 de abril) e na Arábia Saudita (19 de abril) surgem como as mais expostas no curto prazo. Já no final da época, estão previstas corridas no Qatar (29 de novembro) e em Abu Dhabi (6 de dezembro), reforçando a dependência do campeonato em relação à região.
Entretanto, a Pirelli cancelou, com pouca antecedência, um teste de dois dias de pneus de chuva no Bahrein, invocando motivos de segurança. A empresa informou que o seu pessoal em Manama permanece em segurança e que estão em curso esforços para assegurar o regresso à Europa. Foi ainda reportado que um míssil terá caído a cerca de 20 quilómetros do circuito de Sakhir.
Fórmula 2 mais vulnerável devido a carga retida
A Fórmula 2 enfrenta dificuldades acrescidas, com várias equipas a reportarem carga retida em aeroportos do Golfo, o que pode comprometer a chegada de equipamento antes do início das atividades em pista, previstas para 6 de março. Em Abu Dhabi, residentes relataram atividade de sistemas de defesa aérea nas proximidades de Yas Marina, após interceções de mísseis.
A crise volta a evidenciar o peso crescente do Médio Oriente no calendário da Fórmula 1, que inclui quatro corridas na região.












