Mario Isola, responsável máximo da Pirelli no desporto automóvel, considera que os novos carros de 2026 da Fórmula 1 deixaram uma impressão inicial positiva, apesar da profunda mudança técnica. Após o shakedown realizado em Barcelona, o dirigente sublinhou que a marca italiana está preparada para responder às exigências do novo ciclo regulamentar.
Isola destacou a maior agilidade dos monolugares, um ligeiro aumento do ruído e, sobretudo, a boa fiabilidade demonstrada logo nos primeiros dias — em contraste com 2014, quando a introdução dos híbridos provocou graves dificuldades a vários construtores. Como exemplo, apontou a quilometragem elevada logo no arranque, nomeadamente da Haas.
Quanto aos pneus, o fornecedor único mantém as jantes de 18 polegadas, mas introduziu alterações estruturais profundas para se adaptar às novas dimensões dos carros. A filosofia de conceção mantém-se, preservando níveis de desempenho, temperatura e degradação conhecidos, mas com maior separação entre compostos para estimular a variedade estratégica em corrida.

Isola advertiu, contudo, que ainda é cedo para retirar conclusões sobre a hierarquia competitiva. O responsável afastou igualmente a hipótese de regresso a paragens obrigatórias por regulamento e mostrou-se confiante de que os atuais desafios na gestão de energia serão rapidamente resolvidos. Também na chuva se esperam mudanças, com menor spray e melhor visibilidade, embora os efeitos ainda não estejam quantificados.
Em entrevista à revista italiana Autoracer, Mario Isola afirmou:
“Gosto dos carros. Parecem muito mais ágeis. A diferença de peso não é enorme e fazem um pouco mais de ruído do que os anteriores. Em 2014, quando os híbridos estrearam, alguns fabricantes tiveram dificuldades — houve equipas que nem sequer saíram das boxes. Em Barcelona não vi esse tipo de problema. Logo no primeiro dia, por exemplo, a Haas fez 150 voltas.”
Relativamente aos pneus, explicou:
“É verdade que as jantes continuam a ser de 18 polegadas, mas como o tamanho dos carros mudou não foi possível simplesmente reduzir a banda de rodagem e escalar tudo novamente. Não mudámos os critérios com que desenhamos os pneus. Mantivemos desempenho, temperaturas e degradação de acordo com as características que conhecemos. Apenas tentámos aumentar a diferença entre os compostos. Ainda não sabemos o verdadeiro nível dos carros. O desempenho não me parece dramaticamente diferente do do ano passado, sobretudo porque ninguém foi ao limite e era a primeira vez que estes carros iam para a pista.”











