Rali Vidreiro adiado devido ao estado de calamidade
O Rali Vidreiro, prova organizada pelo Clube Automóvel da Marinha Grande e inicialmente previsto como primeira etapa do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) 2026, vai ser adiado na sequência dos efeitos da tempestade Kristin nos concelhos por onde a prova passa.
A região permanece em estado de calamidade, com populações ainda a braços com cortes de energia, água e comunicações, situação que a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) considera incompatível com a realização de um rali nesta fase.
Segundo fonte federativa, “não há condições para se poder fazer a prova” numa altura em que os municípios atravessam um cenário de destruição e estão focados na resposta à catástrofe. A decisão, acordada com o clube organizador, passa por adiar o evento para uma data ainda a definir, ficando o novo calendário dependente da evolução dos trabalhos de recuperação na região e da articulação com outras competições nacionais.
Terras d’Aboboreira passa a abrir o Campeonato de Portugal de Ralis
Com o adiamento do Rali Vidreiro, o Rali Terras d’Aboboreira passa a ser a prova de abertura do CPR 2026. A organização mantém a data prevista para 17 e 18 de abril, transformando a ronda de Amarante, Baião e Marco de Canaveses na primeira referência competitiva da temporada. A FPAK pretende, ainda assim, garantir que o Vidreiro se realize mais tarde este ano, desde que seja possível encontrar um enquadramento que salvaguarde equipas e calendários, nomeadamente face às formações que competem em simultâneo em Portugal e Espanha.
A possibilidade de o Rali Vidreiro regressar está em cima da mesa, mas a federação sublinha que qualquer decisão dependerá do ritmo de recuperação dos municípios envolvidos, que é agora o mais importante.
FPAK quer realizar o rali em 2026, mas pede tempo para autarquias e clubes
A FPAK manifesta “intenção clara” de que o Rali Vidreiro se dispute ainda em 2026, sublinhando que o objetivo é encontrar uma data “boa para todos”: equipas, organizadores e autarquias. A federação lembra que o território afetado envolve três municípios “neste momento desfeitos” pelos efeitos da depressão Kristin, o que torna “desajustado” falar de ralis numa altura em que as prioridades locais passam pela reposição de serviços básicos e pelos primeiros balanços de prejuízos.
Do lado federativo, a mensagem é de prudência: a nova calendarização só será fechada depois de avaliados os impactos da tempestade, dos procedimentos administrativos e das necessidades das autarquias, que terão, logicamente, de reorientar recursos através de orçamentos suplementares e medidas de emergência.
Quanto mais tempo for dado ao clube organizador e às câmaras municipais para estabilizar a situação, considera a federação, melhor será para todas as partes.
Contexto local: reconstrução e prioridade às populações
Os concelhos atravessados pelo Rali Vidreiro foram severamente atingidos pela tempestade Kristin, que provocou estragos significativos em infraestruturas públicas, vias de comunicação e equipamentos, com registo de milhares de habitações sem eletricidade e danos extensos em várias zonas da região Centro. As autoridades locais têm vindo a alertar para a necessidade de concentrar esforços na limpeza, reabilitação e segurança, num cenário em que o estado de calamidade foi prolongado e em que se sucedem pedidos de apoio ao Governo.
Neste enquadramento, e com toda a lógica, a FPAK e o Clube Automóvel da Marinha Grande convergem na leitura de que não é o momento adequado para mobilizar meios para uma prova de automobilismo. A prioridade imediata passa pela recuperação das condições de vida das populações e pela reposição da normalidade possível, ficando a competição desportiva dependente, numa fase posterior, da estabilização da região e da capacidade logística dos parceiros locais.











