A manhã DO quarto dia de shakedown de pré‑época em Barcelona terminou com a Mercedes a voltar a impor ritmo: Kimi Antonelli completou quase 90 voltas e assinou a volta mais rápida da semana, um 1m17.081s, um registo que bateu por valores significativos o segundo melhor, o do McLaren de Oscar Piastri, quase um segundo e meio mais lento. É verdade que os tempos nesta altura valem pouco (ou nada), mas sempre deixam alguns sinais. Seja como for, também pode ter sido um forte ‘aviso’ ao resto do pelotão.
O dia começou com ausências a marcar presença. A Haas, tal como a Alpine e a Red Bull, mantinham-se fora da pista. A equipa de Milton Keynes continuava à espera de peças novas depois do acidente de Isack Hadjar e, por isso, adiava o seu regresso para sexta-feira. No lado oposto, a Ferrari colocava Lewis Hamilton em ação, transformando o vermelho em movimento, depois do dia molhado de terça-feira. O heptacampeão tinha agora um traçado seco e frio pela frente, e um objetivo simples: compreender o equilíbrio do SF‑26 e explorar o que obrigam os novos regulamentos. Mas nem tudo correu com precisão cirúrgica. Um pião denunciou os limites atuais do carro, ou do piloto, e a fina fronteira entre domínio e excesso.
Enquanto isso, a McLaren regressava à pista com Oscar Piastri ao volante, dando continuidade ao trabalho iniciado por Lando Norris. Era a primeira vez que o australiano pilotava o MCL40 em 2026, e as voltas iniciais serviam para confirmar o que em Woking já suspeitavam: o carro parecia mais previsível e ágil do que o modelo anterior.
A Racing Bulls também se juntava à sessão com Liam Lawson, o neozelandês determinado a mostrar consistência enquanto acumulava experiência e dados importantes para Faenza.
A meio da manhã, um nome novo surgiu no monitor de tempos: Sergio Pérez. O mexicano fazia o Cadillac regressar à pista depois de dois dias de ausência. A escuderia norte-americana, ainda a integrar-se na linguagem da Fórmula 1 moderna, manteve-se focada em fiabilidade, preparando terreno para testar novamente no dia seguinte.
Apesar da distância para os líderes, o simples facto de completar voltas era já um avanço importante.
Do lado da Aston Martin, o mistério prolongava-se. A equipa de Silverstone ainda não tinha mostrado o seu novo monolugar em pista, mas prometia fazê-lo durante a tarde, com Lance Stroll ao volante. A expectativa crescia nos bastidores e, embora o silêncio fosse total nas boxes verdes, sabia-se que o regresso estava iminente.
À medida que as horas passavam, a consistência da Mercedes tornava-se o centro das atenções. O monolugar prateado, devorava voltas com uma regularidade impressionante. Os engenheiros observavam os dados com serenidade – e um sorriso discreto parecia confirmar que o plano de trabalho está a resultar.
Quando a sessão matinal terminou, apenas cinco carros tinham pisado o asfalto catalão. Antonelli liderava com autoridade, seguido de Piastri e Hamilton, numa hierarquia que misturava juventude e experiência. Lawson e Pérez fechavam o grupo de trabalho, cada um com o seu próprio percurso de adaptação.
Para já tudo é um enredo em desenvolvimento, o ensaio de uma história maior, ainda por contar. Em Barcelona, a Fórmula 1 tem mais um dia e meio para afinar motores.

FOTO Mercedes AMG Petronas










