O diretor da Mercedes, Toto Wolff, veio a público manifestar o seu apoio incondicional a Kimi Antonelli, após um fim de semana particularmente desafiante para o piloto estreante no Grande Prémio dos Países Baixos de F1. Wolff sublinhou a inevitabilidade de erros no percurso de adaptação à Fórmula 1, reforçando a aposta a longo prazo no jovem italiano.
Uma temporada de altos e baixos para Antonelli
A primeira temporada de Antonelli na F1 tem sido marcada por uma montanha-russa de emoções. Registos notáveis incluem a sua primeira pole position na corrida Sprint de Miami e um pódio histórico no Canadá. Contudo, estes feitos foram intercalados com incidentes, como a colisão na primeira volta com Max Verstappen na Áustria, que evidenciam a curva de aprendizagem pela qual o piloto está a passar.
O acidente em Zandvoort: um desafio adicional
No regresso da Fórmula 1 da pausa de verão, em Zandvoort, Antonelli encarava as últimas dez rondas como “um novo começo”. No entanto, os seus esforços foram rapidamente comprometidos por uma saída de pista durante o primeiro treino livre. Após ser eliminado na Q2 da Qualificação, o piloto da Mercedes conseguiu ascender aos lugares pontuáveis na corrida de domingo. Contudo, uma tentativa de ultrapassagem a Charles Leclerc pelo quinto lugar, nas voltas finais, culminou num incidente, enviando o piloto da Ferrari para um pião e, subsequentemente, para o muro.
Antonelli foi penalizado com dez segundos pelos comissários desportivos, caindo para a 16.ª posição. Este episódio gerou um intenso debate e várias questões dirigidas a Toto Wolff na sessão de imprensa pós-corrida.
A filosofia de Wolff: arriscar e aprender
Wolff recordou o compromisso assumido em Monza no ano anterior: “Quando deixámos claro que lhe daríamos a oportunidade, dissemos também que lhe concederíamos um ano de aprendizagem, e que haveria momentos em que puxaríamos os cabelos, e outros de brilhantismo.” O diretor da Mercedes considera que o fim de semana em Zandvoort “resume bem isso”, com o erro no TL1 a colocá-lo em desvantagem, seguido por “momentos de grande pilotagem” na corrida.
“Uma vez em pista livre, estava atrás do McLaren, o carro mais rápido, recuperou, e depois esteve novamente envolvido naquele acidente que, infelizmente, significou o fim da corrida para o Charles e também para o Kimi. Mas queremos que ele arrisque as ultrapassagens, obviamente”, afirmou Wolff, justificando a sua postura.
Questionado sobre o incidente com um Ferrari a uma semana do Grande Prémio de Itália em Monza, Wolff defendeu que os fãs preferem ver pilotos a “pressionar até ao limite e, por vezes, para lá dele” do que a serem “hesitantes” nas suas ações. “Os fãs italianos querem um piloto italiano que lute, que leve o carro ao limite e, por vezes, para lá do limite. Foi o que aconteceu hoje”, disse, reiterando que, apesar de a equipa não desejar acidentes, o risco faz parte da competição.
A visão a longo prazo e a comparação com Verstappen
Com a Mercedes fora da luta pelo Campeonato de Construtores este ano, Wolff minimizou a relevância dos “dramas” de Antonelli, focando-se no próximo ano, quando “será importante somar pontos”. “Queremos ter um piloto com velocidade, que seja rápido, que aprenda, que some pontos, mas todos os grandes [pilotos] cometem erros”, comentou, traçando um paralelo com a chegada turbulenta de Max Verstappen ao desporto numa idade semelhante.
“É difícil comparar agora porque o Max teve um ambiente diferente na Toro Rosso no início, mas também houve momentos em que se disse: ‘Foi um grande erro'”, explicou Wolff. “O Kimi, com 18 anos, lançado nesta equipa gigantesca, a representar a Mercedes, vai cometer erros. Esperemos que menos erros no próximo ano e que some mais pontos. Mas a minha crença está nele a 100% a longo prazo, erros são apenas parte da aprendizagem.”
FOTO Phillippe Nanchino/MPSA









