A meia época de Andrea Kimi Antonelli na F1 já foi recheada de momentos altos e alguns menos bons. O jovem italiano deixou a sua marca na competição e também já experimentou as dores de crescimento que qualquer piloto sofre. Com duas metades bem distintas, as primeiras 14 corridas de Antonelli mostram-nos que a primeira temporada de um jovem piloto depende de muitos fatores que não apenas o talento.
Kimi Antonelli começou o ano com um quarto lugar na exigente prova da Austrália, onde o caos se instalou. A maioria dos estreantes sofreu nessa corrida, mas o italiano conseguiu uma soberba prestação. Foi o arranque de uma primeira fase muito positiva para Antonelli que conquistou 46 nas primeiras seis corridas, contra 93 do seu colega George Russell. A diferença entre ambos era significativa, mas Antonelli começava da melhor forma a sua aventura na F1.

Mudança de paradigma em Imola
Até que chegou o GP de Imola e a nova suspensão traseira que a Mercedes acreditou ser o caminho certo para desbloquear mais performance. Foi também o início dos problemas para o jovem piloto. Desde Imola, Antonelli apenas marcou pontos por duas vezes. É certo que festejou o seu primeiro pódio no GP do Canadá, mas o seu nível de desempenho baixou de tal forma que a expressão de Antonelli no final das corridas não disfarçava um desconforto tremendo. Na Hungria, a Mercedes regressou à suspensão antiga e Antonelli regressou aos pontos. Foi apenas um, mas a performance foi claramente melhor.
Tudo é rápido na F1: os carros, as alterações na tecnologia… e também a imagem que temos de um piloto. No início da temporada, Kimi Antonelli era o rookie em destaque, um diamante em bruto pronto para ser uma referência, mas nas últimas corridas, passou a ser personagem secundária enquanto outros estreantes se destacavam. A verdade, como sempre, está entre os extremos.
The way Kimi battled to secure a points finish in Hungary 👏
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Let's keep pushing after the summer break 👊 pic.twitter.com/pDU7QmNbH3
Russell disfarçou melhor
Kimi Antonelli não perdeu qualidades a partir de Imola. Apenas teve dificuldade em adaptar-se a uma nova suspensão que também deixou Russell desconfortável. O britânico, que tinha feito quase 100 pontos nas primeiras seis corridas, fez pouco mais de metade (54) nas seis seguintes. A experiência e as oito temporadas de F1 pesaram muito. Antonelli sentiu a pressão e, felizmente a equipa confiava nele e nas suas capacidades. Se fosse num contexto menos favorável, a época de Antonelli poderia ficar em causa. Mas a Mercedes tem feito um bom trabalho e o apoio de Valtteri Bottas terá certamente um papel importante, com um piloto experiente a aconselhar o jovem talento.
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— Mercedes-AMG PETRONAS F1 Team (@MercedesAMGF1) August 2, 2025
Bortoleto no sentido inverso
Há um exemplo diametralmente oposto na grelha deste ano. Gabriel Bortoleto começou o ano com dificuldades e alguns erros, e desde a maior atualização da Sauber (GP de Espanha), tem-se destacado. O termo de comparação, ou seja, o colega de equipa dá-nos uma boa referência. Nico Hulkenberg, em oito corridas, marcou zero pontos. Desde a corrida de Barcelona, marcou 37. No caso de Bortleto, são já 14 pontos marcados e mais elogios granjeados. Uma melhoria permitiu que o jovem mostrasse bem mais do que tinha feito até agora.
Nem Bortleto “aprendeu a pilotar” de um momento para o outro, nem Kimi Antonelli “desaprendeu”. Os jovens pilotos estão muito mais sujeitos a estas flutuações, dependendo das sensações que têm no carro. Ninguém duvida que estamos perante dois grandes talentos, tal como é o caso de Isack Hadjar (época muito regular) e até mesmo Oliver Bearman. Mas as circunstâncias, o apoio da equipa e a sorte têm um relevo muito maior do que se possa pensar. Felizmente, as equipas parecem confiar nos seus jovens pilotos e estão a conseguir fazê-los crescer sem exagerar na pressão colocada, dando-lhes tempo e apoio. Nem todos os pilotos conseguiram ter esse tratamento.










