Bernie Ecclestone criticou duramente Christian Horner, chamando-o de “idiota” pelo seu envolvimento no escândalo de mensagens inapropriadas, que provavelmente contribuiu para sua demissão da chefia da Red Bull, após 20 anos no cargo.
Em entrevista ao The Telegraph, Ecclestone disse que Horner agiu como um jovem de 20 anos e não como um líder experiente, e também questionou o comportamento da funcionária envolvida no caso.
Ecclestone apontou que, enquanto Horner entregava resultados, a sua conduta era ignorada, mas com a queda de desempenho da equipa, a sua posição ficou vulnerável. Ele também destacou o impacto do vácuo de poder deixado após a morte de Dietrich Mateschitz, grande suporte de Horner, e os conflitos internos na Red Bull.
“Ele era um homem de 50 anos que pensava ter 20, pensava ser um dos rapazes», acrescentou, antes de criticar a funcionária da Red Bull, dizendo: «Muitas vezes pergunto-me, quando estas situações acontecem, por que é que, se a rapariga está tão incomodada com as investidas de alguém, ela simplesmente não diz: ‘Ei, para com isso’. Mas o que importa é que há pessoas lá que achavam que ele estava a safar-se, que estava a agir como se não fosse o Red Bull Ring, mas sim o Christian Horner Ring.
Segundo Ecclestone, Horner queria manter total controlo como CEO, recusando-se a dividir funções com outros executivos, o que agravou a situação. Concluiu dizendo que Horner estava acostumado a vencer e teve dificuldades para lidar com o declínio da equipa, mesmo que nem tudo fosse culpa sua.
“Ele safou-se de muitas coisas. E enquanto cumpre, as pessoas fecham os olhos. Mas quando deixa de cumprir, as pessoas começam a olhar. Uma ou duas começam a pensar: ‘Bem, eu poderia fazer um trabalho melhor’.
“Sinceramente, foi um pouco confuso”, acrescentou Bernie, elaborando sobre a luta pelo poder dentro da empresa. “Christian era o diretor-executivo. Se eu fosse o diretor-executivo de uma empresa, gostaria de estar no comando. Quero fazer tudo o que acho certo e, se estiver errado, podem despedir-me. Portanto, no momento em que Christian não pode estar nessa posição para fazer o que acha que deve ser feito, então para ele não é fácil. Não se pode gerir algo pela metade. É preciso ter alguém, eu sempre digo, para acender e apagar as luzes. Só é preciso realmente uma pessoa.”
“Sei que lhe foi sugerido que ele deveria ser o gestor da equipa e deixar a parte comercial para outra pessoa”, revelou Ecclestone. “A ideia dele era: ‘Eu sou o diretor-executivo’. [Mas] há muito poucos executivos que conseguem fazer tudo, desde engenharia até relações-públicas. Ele vinha a gerir a empresa da maneira que achava que deveria ser gerida. Durante muito tempo, as pessoas estavam preparadas para dizer: ‘OK, tudo bem, ele está a fazer o trabalho’. Mas assim que se desviou um pouco, as pessoas olharam e disseram: ‘Espere aí’. Christian ganhou muitos campeonatos. Ele estava acostumado a vencer. Portanto, não é fácil quando não se está a vencer — e quando se sabe que não é inteiramente culpa sua.”









