O ano ainda agora começou e a FIA já mostra que quer manter a trajetória dos últimos tempos e que tem levado a um ambiente hostil. A relação entre a FIA e a F1 já viveu dias bem melhores e poderão surgir novos capítulos em breve.
FIA atualizou o seu Código Desportivo Internacional (ISC) para 2025, introduzindo sanções mais rigorosas para a má conduta dos pilotos na Fórmula 1 e noutras disciplinas do desporto automóvel. Os pontos principais incluem:
Orientações para a aplicação de sanções:
O Apêndice B do ISC, que antes era apenas um código de boa conduta, apresenta agora sanções específicas para as violações do Artigo 12.2.1, incluindo subsecções relacionadas com:
- Causar danos morais à FIA ou aos seus funcionários.
- Incitamento público à violência ou ao ódio.
- Conduta incorreta (linguagem ofensiva ou abusiva, agressão ou incitamento).
- Declarações políticas, religiosas ou pessoais que violem as regras de neutralidade da FIA.
Multiplicadores de coimas para a F1:
As coimas de base são multiplicadas por quatro para a F1. Por exemplo:
- Primeira infração: 40 000 euros.
- Segunda infração: 80 000 euros (mais uma suspensão de um mês).
- Terceira infração: 120 000 euros (mais uma suspensão de um mês e dedução de pontos).
Desculpas públicas obrigatórias:
Os infratores das regras de neutralidade têm de apresentar desculpas públicas e retirar os comentários.
Poder discricionário dos Comissários Desportivos:
Os comissários têm autoridade para ajustar as sanções com base nas circunstâncias, na natureza do evento e no local.
Espera-se que essas mudanças aumentem as tensões entre os pilotos e o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, especialmente devido a desacordos anteriores sobre políticas semelhantes, como a penalidade de palavrões de Max Verstappen em 2023. Estas medidas visam impor uma conduta mais rigorosa, mas é provável que sejam controversas entre os pilotos.
O que está em causa?
Parece claro que há aqui uma espécie de braço de ferro entre a FIA e, neste caso, o órgão federativo pretende mesmo aplicar o que é a vontade do seu agora líder. O caso dos palavrões foi um dos mais polémicos do ano. Um dos pilotos que mais usa o vernáculo para aumentar a expressividade das suas afirmações é Max Verstappen. O atual campeão de Fórmula 1, foi punido por usar linguagem ofensiva durante a conferência de imprensa antes do Grande Prémio de Singapura. O incidente ocorreu quando Verstappen descreveu a afinação do seu carro no Grande Prémio do Azerbaijão como “fod….”. Depois de analisarem o áudio e ouvirem Verstappen e os representantes da Red Bull, os comissários de pista consideraram a sua linguagem inadequada para fóruns públicos, violando as normas da FIA. Embora Verstappen tenha explicado que o inglês não é sua língua nativa e tenha pedido desculpas, os comissários enfatizaram que, como modelo, ele deve ter cuidado com a sua linguagem. Como penalização, Verstappen teve de cumprir um trabalho de serviço público.
O maior problema nem é a questão do uso do vernáculo que, pode incomodar mais uns que outros. É a imposição destas penalizações que pode ser feita. Dizer que um comissário aplicou mal uma penalização pode ser considerado dano moral? Criticar abertamente a FIA em casos que o justifiquem como já aconteceu no passado vai deixar de ser possível? É claramente uma lei da rolha reforçada que poucos benefícios traz ao desporto.










