O gelo negro é o perigo mais traiçoeiro da história do Rali de Monte Carlo. É invisível, leva a uma perda súbita de aderência, por motivos óbvios, tem uma localização imprevisível, mas especialmente em zonas de sombra, e pode aparecer mesmo quando as temperaturas estão ligeiramente acima dos zero graus. Por fim, quanto maior for a velocidade do carro, maiores serão as consequências…
Para se formar gelo negro (black ice em inglês), a água congela (a cerca de zero graus Celsius) e o gelo forma-se sobre a camada de asfalto. ‘Negro’ porque o gelo é transparente e o negro é do asfalto da estrada. Os pilotos só percebem isso quando lá estão em cima, e quando isso sucede nada podem fazer.
Simplesmente não se consegue ver, mas sente-se logo. Os batedores podem ajudar, mas nada garante que não se forme entre a sua passagem e a dos concorrentes, é liso como vidro.
Concorrentes a ser surpreendidos pelo gelo negro é ‘mato’ no Rali de Monte Carlo e este ano se as condições se proporcionarem, o rali começa logo com três troços à noite.

Há muitos exemplos, podemos dar dois. Em 1999 na especial de Plan de Vitrolles a Faye, vários carros saíram de estrada, Didier Auriol (Toyota) perdeu cinco minutos a recuperar o carro, Carlos Sainz bateu num poste, Freddy Loix numa ponte, 11 concorrentes não passaram dos 48 Km do primeiro troço.
Em 2020, as consequências são as que pode ver na foto, no Monte Carlo de 2020, e ali ainda falta Ott Tanak, que também saiu de estrada nesta curva. Gus Greensmith foi o piloto que menos sorte teve já que o carro fez um pião e cai de traseira no buraco do lado esquerdo.









