Alain Prost é um dos grandes nomes da história da F1. O “professor”, como ficou conhecido pela sua abordagem metódica e matemática às corridas, foi personagem principal do mítico confronto com Ayrton Senna, o piloto brasileiro que arrebatou os corações de milhões de fãs, pela sua velocidade e postura apaixonada. Prost lamenta que a sua carreira seja algo menosprezada.
Em entrevista ao motorsportmagazine.com o francês revelou alguma tristeza e incompreensão por não ver a sua carreira ser tão valorizada como a de outros pilotos:
“Às vezes pergunto-me como é que vou ser recordado”, disse Prost. “Parece uma piada, mas sou completamente subestimado! Eu sei disso. Eu percebo. Não sei porquê, mas de certa forma é a minha marca. Parece que vai ficar assim para sempre, faz parte da história. Vejam os meus outros colegas de equipa, o [John] Watson, o [René] Arnoux, o [Eddie] Cheever, o Niki, o Keke, o Stefan [Johansson], o Nigel [Mansell], o Jean [Alesi] e o Damon [Hill]. Ninguém fala deles. Tive cinco campeões do mundo como companheiros de equipa. Por isso, é uma pena. Mas é assim que as coisas são. Hoje em dia, temos as redes sociais e toda a gente vê os vídeos das nossas lutas. Por vezes não compreendo. A minha carreira não durou apenas dois ou três anos”.
Prost aproveitou ainda para dizer que nunca se sentiu inferior a Senna em corrida. Em qualificação, o francês reconheceu que Senna o surpreendeu várias vezes, mas em corrida, nunca sentiu que o brasileiro tivesse vantagem:
“O Ayrton representava mais chama e paixão. Eu era o ‘ Professor’, clínico. Ele era’ místico’ e as pessoas gostavam disso. Ele impressionou-me por vezes na qualificação, não me lembro exatamente quando. Nunca em condições de corrida. Nunca. Em condições de corrida, no warm-up, a maior parte das vezes eu era mais rápido”.
Será Prost assim tão desvalorizado? A verdade que é o francês foi um dos grandes pilotos de sempre, mas é constantemente recordado como o “vilão” do duelo com Senna. Prost foi muito mais que isso. E há uma célebre estatística que evidencia isso. Prost ficou a 12,5 pontos de ser oito vezes campeão do mundo. Prost foi quatro vezes campeão do mundo com 51 vitórias, 33 poles e 106 pódios. Em 1983, ficou a apenas dois pontos de Nelson Piquet, campeão desse ano. No ano seguinte, foi o ano do famoso título decidido por meio ponto, que caiu para Niki Lauda. Em 1988, ficou a três pontos do campeão Ayrton Senna e em 1990 ficou a sete pontos do mítico piloto brasileiro.
Prost era conhecido por saber gerir a mecânica do carro e durante o seu tempo teve à volta de 35 falhas mecânicas em 199 corridas enquanto os seus colegas de equipa todos tiveram 60. Outro dado interessante é que Alain Prost teve 41 volta mais rápida em corrida e Senna teve 19. Os números contam a história que quisermos e avaliar os pilotos apenas pelos seus números pode tornar-se injusto. Os números nunca vão mostrar o fogo e a paixão de Senna, a elegância de Jim Clark, a determinação e o talento de Alonso, a velocidade pura de Raikkonen. Mas são uma boa base para recordarmos a espetacular carreira de Alain Prost, um dos melhores de sempre, algo que é poucas vezes dito.











