Max Verstappen, piloto da Red Bull, não partilha, nem sequer de perto, o mesmo entusiasmo que a quase totalidade dos seus colegas de pista na Fórmula 1, relativamente ao ‘hype’ da corrida de Las Vegas. Como se sabe, ‘hype’ é um termo inglês que significa “exagero” ou “promoção exagerada”.
Em marketing, o hype é uma estratégia usada para enfatizar uma pessoa, ideia ou produto, geralmente com o objetivo de aumentar as vendas ou a popularidade.
O que não falta em Las Vegas é ‘hype’, que é quase sempre uma ferramenta poderosa, mas para Max Verstappen é “99% espetáculo, 1% desporto”.
Não há muito tempo, Barton Crockett, um analista de pesquisas da Rosenblatt Securities, disse que a “Fórmula 1 tem que se preocupar fortemente com Max Verstappen”, não se referindo só ao domínio que o piloto da Red Bull tem na F1, mas também com o facto de Verstappen não gostar nada de ‘palhaçadas’: “ficar ali em pé a acenar, pareces um palhaço”, disse a propósito da festa de ontem em Las Vegas.
É isto que preocupa a Liberty, ciente que hoje em dia o sucesso de um desporto – e a F1 é acima de tudo um desporto – também se afere pelo que faz melhor que as restantes competições em termos de importância juntos dos muitos milhões que seguem as redes sociais hoje em dia, em todo o mundo. Todos os desportos, empresas, pessoas, sabem que é grande a importância das redes sociais pois são acima de tudo uma ferramenta essencial para quem deseja ligar-se mais e melhor ao seu público, mesmo que este seja amplo e segmentado.
Todo e qualquer desporto tenta criar condições para seduzir cada vez mais gente a juntar-se à sua causa e quando se junta uma cidade como Las Vegas, a capital mundial do entretenimento, à principal disciplina do desporto motorizado, a F1, só podia resultar num espetáculo inesquecível fora de pista, e espera-se que também, dentro dela.
Mas não contem com Verstappen para o espetáculo fora da pista.
Numa entrevista recente à famosa revista Time, Max Verstappen confessou evitar os holofotes da fama, prefere uma vida tranquila, e isso contrasta totalmente com as expectativas da grande maioria dos fãs, especialmente os das redes sociais. E isto vai ter implicações financeiras na F1.
Veja-se a atitude do piloto em Las Vegas: quando lhe perguntaram se estava ansioso por este fim de semana, o tricampeão do mundo foi inequívoco: “Não”.
“Acho que é 99% espetáculo, 1% desporto”, disse Verstappen. “Eles (a Fórmula 1) continuam a ganhar dinheiro, quer eu goste ou não, por isso não depende de mim. Mas eu não vou fingir. Eu sempre expresso minha opinião em coisas positivas, em coisas negativas, é assim que eu sou.
Não é bem a minha onda. Há quem goste de um espetáculo, eu não gosto nada”, disse.
Ontem, para mal dos seus ‘pecados’, Verstappen e todos os seus colegas tiveram perante muitos milhares de espectadores, durante a cerimónia de abertura ao estilo de Las Vegas, bandas de rock, um espetáculo de drones, fogo de artifício, e muito mais. Nem faltou o Elvis Presley. Vários: “Para mim, essas coisas podem ser ignoradas”, disse Verstappen. “ficar ali em pé, pareces um palhaço”.
Imagine-se quem o ler ou ouvir, no meio de uma festa destas.
Provavelmente, a F1, ou a Liberty Media já só pedem que fique calado. Pelo menos não estrague.
Verstappen só se quer preocupar com o que verdadeiramente interessa: “Eu sempre quero me concentrar no lado do desempenho das coisas, mas não acho que a pista seja emocionante.
Será ótimo conduzir na Strip, mas o traçado em si não é o mais excitante”, disse.
Já sabemos, e vai ser sempre assim. O que lhe falta de carisma e tato, compensa em pista. como se vê, de sobra…














