A Alpine voltou a operar uma remodelação na sua equipa, com a saída das chefias, anunciadas na última semana. Cyril Abiteboul comentou o sucedido e afirmou que as mudanças não tiveram tempo para se fazerem sentir.
Abiteboul deixou as rédeas da Renault há dois anos, o tempo suficiente para a equipa operar uma nova reestruturação. O francês abordou esta nova mudança da estrutura francesa, que bem conhece, referindo que a Alpine não teve a vida facilitada, mas não estava tão longe do objetivo quanto parece:
“Esta situação reflete a insatisfação com os resultados e, muito provavelmente, a impaciência do conselho de administração do grupo Renault”, observa Abiteboul numa entrevista à France Info. “Para além da impaciência, pode também ter havido alguma arrogância no início da época ou um excesso de confiança. Quando não se enfrenta a realidade, a certa altura começa-se a contar histórias”, acrescentou. “Não se pode excluir que a história que estavam a contar internamente fosse demasiado lisonjeira, mas a Alpine não está assim tão longe. As variações de competitividade afectaram toda a gente esta época, com exceção da Red Bull. A Alpine, por outro lado, está sempre um pouco abaixo. Às vezes a culpa é deles, outras vezes não. A competitividade do carro no início da temporada estava abaixo da média, e eles não tiveram o tipo de atualização milagrosa que outras equipas tiveram.”
Quanto aos objetivos propostos, de atingir o topo em 100 corridas, Abiteboule considera que a ideia não fazia muito sentido, apesar de reconhecer que os efeitos das mudanças operadas por Laurent Rossi ainda não se tinham feito sentir.
“O plano para quantificar 100 Grandes Prémios… porque não 120, porque não 80? Não percebo”, disse o francês. “Quando se começa a apresentar um plano como esse, é certo que se vai enganar, porque não se sabe o que os outros estão a fazer na Fórmula 1. Os investimentos colossais da Aston Martin, o incrível impulso da Red Bull, nada disso vai parar só porque o 99º grande prémio de Laurent Rossi chegou. A direção anterior fez questão de fazer um reset completo depois de eu ter saído, o que implicou o despedimento de cerca de quinze pessoas”, explicou. “Subestimamos sempre isto na F1, como noutros sectores altamente competitivos: é preciso tempo para tirar alguém da competição. Quando se perdem 15 pessoas e se contrata, são precisos dois ou três anos para que isso tenha efeito. A remodelação que Laurent Rossi decidiu fazer, ainda nem sequer vimos o seu impacto.”










