Como as coisas mudam rapidamente na Fórmula 1. Alguém acreditaria no ano passado, principalmente até ao verão de 2022, que a Aston Martin iria terminar com um dos seus carros no pódio da primeira corrida desta temporada com Fernando Alonso ao volante? E que depois de uma temporada a trabalharem para resolver o grande problema do ‘porpoising’ e terminarem com um carro muito mais competitivo, a Mercedes iria entrar na nova época com mais um “tiro no pé”?
Enquanto a equipa de Silverstone ainda passa por um período de lua de mel, em Brackley o discurso é derrotista e o ambiente é tenso. George Russell disse que a temporada vai ser um passeio no parque da Red Bull, Lewis Hamilton salientou que ninguém o ouviu na equipa sobre o que era preciso fazer no W14… que parece ser novamente um carro malfadado. Toto Wolff apontou noutra direção, horas depois de Mike Elliott se mostrar otimista para a corrida. Afinal parece que terá de haver um novo conceito para o monolugar da Mercedes, uma versão B ou algo do género. Mas conseguirão ser competitivos ainda esta época ao ponto de lutar por vitórias? Esse era o objetivo inicial da equipa.
Em 2022 a Aston Martin teve de fazer o mesmo e até a Williams fez algo parecido, se bem que em menor escala. Duas equipas que, à semelhança da Mercedes, tinham seguido filosofias diferentes da maioria das estruturas. Optando por trazer mais do conceito vencedor da Red Bull para os seus carros, a Aston Martin deu-se bem no início da época. Se bem que apenas se realizou uma corrida, num traçado com exigências diferentes dos restantes, mas foi um começo francamente positivo. A Mercedes deverá alterar fortemente o seu W14 e ir de encontro aquilo que está provado funcionar em pista, estando já em desenvolvimento no túnel de vento algumas das soluções para o carro. Quando estarão prontas? Russell disse, ainda antes do início do fim de semana do Grande Prémio, que na sexta corrida o carro deveria estar pronto a lutar por vitórias, mas no ponto em que está o W14 teria sido preciso começar a desenvolver soluções ainda antes do arranque oficial da época. Os responsáveis da Aston Martin em 2022 afirmaram que tinham uma segunda versão na linha de produção antes do arranque da época, por isso o mesmo deverá ter feito a Mercedes. A estrutura é capaz, tem meio para tal, mas o dinheiro não é mais “barato” em Brackley do que nas outras fábricas e ainda estamos para saber, porque os resultados da análise financeira da FIA ainda não foram apresentados e deverá ainda demorar, como conseguiu a Aston Martin manter-se dentro do limite orçamental. Para aferir como consegue a Mercedes transformar um carro 0.6s mais lento do que o RB19 numa máquina para lutar por vitórias sem ultrapassar o limite orçamental da F1, temos de saber duas coisas: vai ser mesmo uma versão B, muito diferente do atual, que a Mercedes vai apresentar durante a temporada?; se a resposta à primeira pergunta for afirmativa, em 2024 lá saberemos se o limite orçamental foi de facto cumprido.










