Q&A, Fernando Alonso: “parece real o desempenho. Vamos ver em Jeddah”
Fernando, é o teu 99º pódio, o primeiro no Bahrein desde que ganhaste em 2010.
Quão doce é este momento para ti?
“É, obviamente, um começo perfeito para este projeto. Não esperávamos ser tão competitivos. Penso que o objetivo em 2023 era conseguir misturarmos-nos no meio do pelotão, talvez liderar esse meio de pelotão e chegar perto das três primeiras equipas, eventualmente. Mas mesmo um pódio talvez não estivesse no radar em 2023.
E, e encontramo-nos hoje no Bahrein como o segundo melhor carro, durante todo o fim-de-semana, como logo atrás da Red Bull.
Portanto, isto é um pouco de surpresa. Mas estamos extremamente orgulhosos, felizes com o trabalho feito em Silverstone, na fábrica. Portanto, grandes felicitações a todos. Vamos aproveitar este momento e construir a partir daqui, esperemos uma boa campanha de 2023 e aproximarmo-nos cada vez mais dos melhores.”
Achas que vão ter que refazer as expetativas para o resto desta temporada?
“Vamos ver. Penso que tenho a mesma sensação dos testes, tipo, demasiado boa para ser verdade. E estás sempre à espera de que alguma coisa, vais dar um passo atrás e vais voltar à realidade. Mas parece real o desempenho. Vamos ver em Jeddah.
Estou curioso por Jeddah e Austrália. São circuitos muito diferentes.
Muitas curvas de alta velocidade, pouca degradação dos pneus. Penso que no Bahrein fomos fortes em coisas que talvez não encontremos em Jeddah, e na Austrália. Portanto, se formos fortes nas próximas duas corridas, penso que teremos um 2023 muito bom.”
Podes falar-nos das ultrapassagens ao Hamilton e a Sainz? Quanto é que gostaste disse?
“Gostei, obviamente, porque acabei na frente. Isso é sempre a mesma coisa em qualquer batalha. Mas sim, dizemos que é sempre a mesma coisa, mas quando se luta na frente, com estes grandes pilotos, grandes campeões, é mais intenso, mais adrenalina quando se está num roda a roda. Portanto, sim, não queria cometer qualquer erro, ou ter qualquer contacto, porque obviamente quando se é 12º, não se perde nada, mas hoje, lutamos por coisas grandes. E sim, eu estava feliz. E o carro é muito agradável de conduzir.
Essa foi provavelmente a nossa força, tudo através dos testes.
E este fim-de-semana, embora a corrida tenha sido muito longa, as últimas 10 voltas, porque eu queria ver a bandeira axadrezada e estar no pódio, o carro era muito bom de conduzir e eu podia ter conduzido por mais uma hora ou algo assim, sozinho na pista.”
Mencionaste um contacto, tiveste algum contacto com o Lance (Stroll)?
“Sim, aparentemente na Curva 4. Pensei que era o George. Mas vi a repetição na televisão mais tarde, e foi o Lance. Portanto, sim, ele teve um bom começo porque ele estava ao meu lado na Curva 4. Tivemos sorte. Obviamente, os dois carros não tiveram problemas e nós pudemos continuar. Era o nosso dia de sorte. Estou muito feliz pela equipa, porque eles merecem.”
Existe alguma fraqueza no carro que já consigas melhorar?
“Não. Mas, sabes, tínhamos uma posição muito confortável. Por isso, abrandei o ritmo e informei a equipa que sabia que podia rodar mais depressa, mas estava a evitar os corretores e apenas a trazer o carro para casa. Portanto, sim, há algumas áreas que temos de melhorar e que não vou partilhar. Mas penso que o ponto mais importante é que o novo Aston Martin é apenas um carro novo, um projeto novo. Isto é apenas o começo.
Este não é o carro final, este é apenas o carro de partida deste conceito que mudámos durante o inverno. Penso que algumas das equipas de topo acabaram de manter a filosofia que tinham no ano passado. Red Bull ou Ferrari mantiveram mais nas mesmas formas. Apenas, afinando as coisas e aperfeiçoando essa boa base que tinham.
Para nós, era muito mais difícil. Tivemos de mudar 95% do carro. Portanto, acho que há mais a aprender com o carro, e há mais por vir do nosso lado. Tenho confiança total na nossa equipa, obviamente que eles sabem o que fazem. Portanto, esperemos melhorar em breve.”
Em que é que a gestão de pneus teve efeito, em comparação com outras áreas de desempenho?
“Penso que sim, tiveram, os pneus. Parece que são um dos pontos fortes do nosso carro, algum legado do ano passado também, porque a Aston Martin também foi muito forte aos domingos, no ano passado. Por isso, sim, vamos tentar manter isso no carro e apenas melhorar os sábados, que foi talvez o ponto fraco do ano passado para a equipa.
E por outro lado, não fomos mega-competitivos. Portanto, vamos trabalhar nisso. Sobre o ritmo da corrida, obviamente perdemos tempo na primeira parte pois fiquei atrás do Mercedes. No meio, tive de passar o George e o Valtteri. E depois, na última fase da corrida, tive de passar Lewis e o Carlos. Portanto, no total, tenho a certeza de que perdemos 10 ou 15 segundos em todas essas batalhas. Assim, se estivéssemos 40 segundos atrás do líder, poderíamos ter ficado talvez 20 segundos, ou 30 segundos. Sim, não é uma luta real – ainda – face à Red Bull.
Tanto nas tuas lutas com o Lewis Hamilton como com Carlos Sainz, tiveste grandes momentos na Curva 4. Parecia que o carro de repente fugia para a esquerda. Podes falar sobre os dois incidentes ali ocorridos e o que estava a causar isso?
“Penso que sabemos o que está a causar isso, mas vou guardá-lo para mim. Ainda estamos a trabalhar. Como eu disse, o carro é muito novo. Precisamos de aprender mais do carro, eu preciso de me habituar mais ao carro. Por isso, esses momentos foram mais de me habituar ao carro, de me habituar ao input de pilotagem, ao feedback do volante e à assistência elétrica. Portanto, coisas que ainda não estão a 100%…”
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