O WRC publica todos os anos o WRC Factbook um documento interessante que nos dá dados diversos que nos mostram o que tem sido a evolução da disciplina, especialmente na sua relação com o público em geral e adeptos em particular.
Sem dúvida que olhando para os números iniciais, as diferenças para o que se passa hoje em dia são abissais, mas tal como sucede com muitos relatórios, por vezes não é fácil escapar a uma análise mais atenta e essas na maior parte das vezes colocam a nú outras coisas que não se deseja estarem a acontecer.
É óbvio que a pandemia fez desacelerar muita coisa no desporto motorizado. Não é possível esperar que os seis ralis de 2020 sejam comparáveis a todos os restantes ano, mas sendo certo que há crescimento na maioria das métricas, talvez este não seja o que se poderia esperar. Por exemplo, depois do desastre que foi a Audiência TV acumulada em 2020, no ano de 2021 recuperou-se muito, mas o hiato atirou com os números para valores antes de 2017. Ou seja, o ano de 2021 ficou atrás bem atrás dos valores de 2017, que continua a ser recorde. Este é um sinal muito negativo e não deve ser por acaso que o WRC vai ter uma TV linear em 2023, um canal dedicado só aos ralis.
Mas há outros casos que mostram alguma anarquia na divulgação dos números do WRC.
Por exemplo, na média de visitantes do WRC.com, os valores deixaram de ser divulgados em 2016. A rubrica Vídeos Online surge só com valores em 2020, e passar de 223.000 para 276.000 em 2021, num ano em que existiu o dobro dos ralis é muito mau…
Quanto aos espectadores nas provas, a sensação é que divulgam um número a ‘olhómetro’. começou nos 3 milhões e 300 mil em 2013, até aos mais de quatro milhões como referem desde 2016, que não muda desde aí. Ou seja, se não têm forma de saber, mais valia não o divulgarem.
As redes sociais, Facebook, Youtube, Twitter e Instagram, cresceram muito, algo perfeitamente natural, aconteceu com todas as competições, mas neste particular, o WRC ‘portou-se’ bem, ainda que só é possível quantificar ‘quão’ bem se portou quando compararmos com as restantes competições motorizadas. É preciso perceber que em valores percentuais, cresceu mais que as restantes, e quanto cresceu comparativamente à F1. em termos relativos, claro. No total de Social Media, passou-se de 5 300 000 em 2020, para 6 100 000 em 2021.
Um dado que o Promotor do WRC está a trabalhar para mudar, mas há largos anos que não divulga resultados é a diferença de percentagem de incidência do WRC na Europa e na América. Em 2016 era 19,30% (WRC América (Norte/Sul)) e 72,60% (WRC Europa). não nos parece que tenha mudado muito, só mesmo quando o WRC regressar aos EUA isso vai começar a mudar. E ainda há a China, que tarda em ‘decidir-se’ de quer WRC ou não.
O WRC precisa urgentemente de soluções para se desenvolver. Não são fáceis, estes tempos que vivemos não ajudam nada, bem antes pelo contrário, mas parece que o Promotor está a trilhar caminhos que podem dar frutos quando tudo estabilizar.
Uma coisa é quase certa. Num futuro longínquo, dez anos ou mais, o WRC pode ser elétrico, mas a curto médio prazo não o vai ser. O que vai suceder até lá é a ‘tal’ pergunta que vale um milhão, ou se calhar bem mais do que isso..












