Sebastian Vettel diz que a Fórmula 1 devia ajudar mais os seus promotores a reduzir a pegada de carbono do público que se desloca até aos circuitos se quiserem cumprir as suas ambições de serem uma competição com uma taxa de 0% de emissão de carbono, no final da década.
Em 2019, a Fórmula 1 anunciou planos ambiciosos para competir com combustíveis 100% sintéticos por volta de 2030, com zero emissões de taxa de carbono. As atuais unidades motrizes classificam-se como os motores mais eficientes do mundo e, com os novos regulamentos esperados para 2026, está previsto que os mesmos utilizem até 50% de energia elétrica e 100% de combustíveis sustentáveis. No entanto, Vettel diz que o desporto precisa de ir ainda mais longe, dando talvez alguns dos seus lucros aos promotores para ajudar a reduzir a pegada de carbono dos eventos de Fórmula 1.
“Qualquer tipo de evento que atraia uma grande multidão tem de estar à altura das responsabilidades que vêm com os nossos tempos”, disse Vettel numa cimeira organizada pela World eX. “Obviamente que atraímos grandes multidões para a Fórmula 1. Penso que o desporto se tornou mais popular nos últimos anos com uma nova base de adeptos, especialmente na América do Norte, tornando o desporto maior e em crescimento. Mas com isso, também há mais pessoas que precisam de chegar ao circuito e nesse aspeto há muito que pode ser feito, à semelhança de outros grandes eventos. Obviamente, a forma como as pessoas chegam ao evento, o transporte público ainda não é um grande tópico, em geral”, diz Vettel, apelando à mudança de paradigma. “Portanto, precisamos de pegar nos lucros que a Fórmula 1 faz e tentar reinvestir nos promotores, dando-lhes a oportunidade de decidir colocar uma solução melhor, mais ecológica e mais limpa quando se trata de lidar com a chegada de multidões e de lidar com o evento”, propõe Vettel.
Os políticos e ativistas têm visado a Fórmula 1 em torno da sua poluição e emissão de carbono nos últimos anos, mas Vettel insiste que não importa se o evento é uma corrida ou um concerto, o problema ainda persiste atualmente em todos os sítios.
“Em última análise não faz grande diferença se estamos a conduzir carros, ou a dar um concerto ou a fazer outras coisas, olhando para as grandes multidões e para a emissão de carbono das próprias multidões até ao local do evento”, afirmou. “Penso que estas questões surgirão no futuro. Portanto, cabe-nos a nós estar à frente, dando o exemplo com o enorme poder que temos. Estamos a gastar muito dinheiro no desporto motorizado, mas com isso vem muita inovação, engenharia e potência que podem ser canalizadas numa melhor direção, para que todos, mesmo fora do desporto motorizado, beneficiem um dia, quer a resposta seja elétrica, hidrogénio ou outra qualquer opção”, concluiu o tetracampeão do mundo.











