Ponto prévio: concordo em absoluto com teto orçamental ‘técnico’ como já existe na F1. Não concordo com teto salarial para os pilotos, embora compreenda porque se fala nele.
Em primeiro lugar, concordo em absoluto com as recentes palavras de Max Verstappen, que dizer ser “completamente errado” introduzir um limite salarial para os pilotos, alegando que a popularidade da Fórmula 1 está a aumentar e as receitas a crescer, para lá do facto que são eles que arriscam a vida cada vez que saem para a pista.
Confesso que acho uma brincadeira de meninos o ‘fair play financeiro’ colocado em prática, não sei se pela FIFA ou UEFA, ou ambas, pois o futebol é cada vez mais um feudo de meia dúzia de equipas com donos endinheirados e isso não tende a desenvolver o futebol, mas sim torná-lo um ‘clube’ restrito. E o futebol sempre foi tudo menos isso.
O teto orçamental da F1, que é o que nos verdadeiramente interessa, equilibra o plantel, claramente, mas sempre achei que não ia mudar muito a correlação de forças da F1.
Este ano é um perfeito exemplo de que o teto orçamental funciona: se a Mercedes não tivesse espartilhos, provavelmente já teria resolvido o seu problema, e eu prefiro o mérito, ao dinheiro, na resolução de problemas.
Voltando aos salários dos pilotos, eu sempre fui mais apologista de um ‘mercado livre’, mas admito que provavelmente se chegou a quantias totalmente exorbitantes e não me estou a referir especificamente à F1.
Max Verstappen vai ganhar quase 50 milhões de dólares por ano. Segundo a Forbes, este ano no top 10, não há um único piloto de F1 na lista. O mais bem pago é Lionel Messi com 130 milhões de dólares. Cristiano Ronaldo é o 3º com 115 milhões, Lewis Hamilton 17º com 65 milhões.
As coisas são o que são, os desportos que estão à frente da F1 ‘rendem’ mais, pagam melhor aos seus atletas, esta sempre foi e eu acho que deve ser assim: livre.
Até porque muitos patrocinadores que ajudam nas fases iniciais das carreiras dos pilotos, enquanto jovens, estão precavidos quanto a potenciais futuros ganhos, ou seja, para muitos também é um negócio, que pode ser muito rentável.
Mas também vejo vantagens nos desportos que limitam os ordenados dos atletas: por exemplo, a NBA há bem mais de 30 anos que tem um teto orçamental global. Ou seja, se isso fosse aplicado na F1, se uma equipa tivesse um orçamento de 150 milhões, poderia pagar 50 milhões a um piloto, mas tudo o resto teria de caber nos restantes 100 milhões. É assim que funciona a NBA. No tempo de Michael Jordan, os Chicago Bulls não conseguiam ter duas super-vedetas, e por acaso quase tinham, com Scottie Pippen, porque o orçamento não dava para montar o resto da equipa. Na F1 isso dificilmente resultaria.
Mas confesso que é um tema controverso, posso compreender argumentos dos dois lados, especialmente quando se diz que a F1, como todos os outros desportos no mundo, precisa de encontrar uma forma sustentável de existir sem precisar de fundos soberanos ou de equipas estatais.
Percebo que muita gente olhe por exemplo para o estilo de vida atual de Lewis Hamilton, por exemplo, ou até mesmo Cristiano Ronaldo pode servir de exemplo. Mas penso que todos se lembram de onde vieram.
Portanto, poder fazer o caminho até onde estão agora, para mim faz sentido…











