Valtteri Bottas venceu o GP da Turquia, depois de uma excelente prova, evidenciando consistência e boa gestão. A corrida demorou a aquecer mas deu-nos um final animado com muitas lutas e muita incerteza, devido à meteorologia e às condições da pista. Bottas liderou praticamente toda a prova, sendo essa liderança apenas interrompida com a sua ida para as boxes, numa altura em que Charles Leclerc assumiu a frente do pelotão. Na luta pelo campeonato, Lewis Hamilton esteve perto de conseguir uma excelente operação, tendo lutado pelos lugares do pódio, minimizando as perdas para Verstappen, mas uma paragem tardia comprometeu um excelente resultado. Já o #33 da Red Bull nunca teve argumentos para tentar a vitória, mas conseguiu pontos importantes, tal como a Red Bull, que sai da Turquia com motivos para sorrir.
O arranque da corrida foi feito em condições difíceis, com a chuva que foi caindo ao longo da manhã a deixar o asfalto do Istambul Park húmido e a obrigar os pilotos a arrancarem com pneus intermédios.
A largada foi feita de forma cautelosa, mas ainda assim Fernando Alonso foi vítima de um toque de Pierre Gasly, que atirou o espanhol para 18º, enquanto Lewis Hamilton conseguiu ganhar dois lugares na primeira volta. Sergio Pérez também conseguiu ganhar duas posições, instalando-se em quarto, logo atrás de Charles Leclerc. Mick Schumacher teve um começo de corrida complicado, com um pião provocado por Alonso, caindo para 19º. enquanto Nicholas Latifi era último, também com um pião.
Na frente Valtteri Bottas estava a tentar afastar-se de Max Verstappen conseguindo 1.5 seg. de vantagem em relação ao #33 da Red Bull nas primeiras três voltas. Carlos Sainz e Daniel Ricciardo eram 15º e 16º respetivamente (volta 4), atrás de George Russell, que perseguia os dois Alfa Romeos que fizeram bons arranques (Giovinazzi em 12º, na frente de Kimi Raikkonen).
Carlos Sainz começou o seu recital
Carlos Sainz estava a fazer uma excelente recuperação e era 13º na volta 7, enquanto Hamilton estava a ser “bloqueado” por Yuki Tsunoda, que conseguia manter o Mercedes atrás de si até a volta 8, altura em que a defesa do japonês claudicou. Sainz continuava a mostrar excelente andamento e era já 12º, enquanto Ricciardo ainda era 16º, atrás de Russell.
A tarde piorou para Gasly, com os comissários a atribuírem cinco segundos de penalização para o francês devido ao toque em Alonso e o espanhol também foi penalizado com cinco segundos pelo toque em Schumacher.
Hamilton estava com vontade de se aproximar do top cinco o mais rapidamente possível e depois de despachar sem dificuldade Stroll, fazendo o mesmo a Lando Norris. Hamilton estava a ser um dos grandes animadores da prova, juntamente com Sainz que tinha ganho oito lugares nas primeiras dez voltas (11º nesta fase). A pista demorava a secar e não havia sinais de uma trajetória seca, com Bottas a manter a distância para Verstappen, que estava a pouco menos de três segundos do líder.
Na volta 14, Sainz entrou nos pontos com uma ultrapassagem algo atabalhoada a Vettel, depois de perder momentaneamente o controlo do seu Ferrari, o que levou a um toque no Aston do alemão e pouco depois Hamilton entrava no top 5, passando Gasly sem ter de suar muito.
Ricciardo foi o primeiro na boxes
Na volta 22 Ricciardo foi o primeiro a entrar para trocar de pneus, colocando um novo conjunto de intermédios e pouco depois Tsunoda teve uma saída de pista que o atirou para 13º, numa fase em que as equipas avaliavam as suas opções e os tempos do australiano mostravam que um novo conjunto de intermédios não era uma solução. Na frente mantinha-se tudo na mesma, com o top 3 a manter as distâncias, com a gestão dos pneus a falar mais alto.
Na volta 28, apesar de Nikita Mazepin ter assustado Hamilton, não impediu o britânico de se aproximar de Pérez, com a diferença entre os dois a ser de pouco menos de dois segundos. Nesta fase os intermédios eram quase pneus slicks e mantinham a performance e com a chuva ainda a cair de forma ligeira, mantinha a humidade no asfalto.
Alonso foi o segundo piloto a parar, na volta 32, colocando também os pneus marcados a verde, mas o foco estava na luta entre Pérez e Hamilton. O #44 atacou Pérez e chegou a estar à frente do mexicano, mas o #11 defendeu-se bem e manteve a sua posição, numa excelente luta, sem qualquer toque entre ambos, enquanto Verstappen continuava a perder tempo para Bottas e Leclerc mantinha a distância para o neerlandês.
Leclerc na frente da corrida, mas por pouco tempo
Na volta 36 Verstappen foi às boxes e regressou à pista em terceiro, atrás de Leclerc, depois de uma excelente paragem. Sebastian Vettel foi o primeiro (e único) a colocar pneus slicks médios, tentando algo diferente sem sucesso, sem aderência qualquer neste tipo de borracha, regressando às boxes pouco depois para colocar intermédios. Depois da paragem de Bottas, Leclerc estava na frente mas cometeu um erro na reta oposta o que o fez perder tempo. Hamilton ainda não tinha parado e aproximava-se de Verstappen. Bottas, Verstappen e Pérez já tinham parado, mas ficava no ar a sensação de que Leclerc e Hamilton não iriam parar para trocar de pneus. A equipa pediu a Hamilton para fazer a troca, mas Hamilton não concordava e queria manter-se em pista.
Leclerc mantinha-se na liderança, mas mais um par de erros permitiu que Bottas se aproximasse do Ferrari e na volta 47, o finlandês reconquistou a liderança da prova, com o monegasco a ter dificuldades em manter o ritmo. Sainz voltava também a mostrar-se e passava Ocon pelo oitavo lugar. O esforço de Leclerc não compensou e entrou nas boxes para trocar de pneus, caindo para quarto. Com dez voltas para o fim, apenas Ocon e Hamilton ainda não tinham trocado de pneus, mas na volta 51 Hamilton parou para trocar de pneus, caindo para o quinto posto e pouco depois Pérez tratou de passar Leclerc e carimbar uma vaga no pódio. O piloto da Ferrari não tinha aderência nos pneus traseiros e Hamilton tentava aproximar-se de Leclerc, mas o britânico tinha dificuldades com os pneus ainda longe do estado ideal para tentar o ataque final. As dificuldades que Hamilton enfrentou nas últimas voltas colocaram o #44 sob pressão de Gasly e em vez de pressionar Leclerc, teve de se focar em manter o quinto lugar, para seu descontentamento.
Bottas conseguiu a merecida vitória
O final da corrida chegou rapidamente e Bottas cruzou a linha de meta em primeiro lugar, conquistando a sua 10ª vitória, tendo companhia no pódio de Max Verstappen e Sergio Pérez, numa excelente operação para a Red Bull, que conseguiu colocar dois pilotos no pódio. Charles Leclerc terminou em quarto depois de uma excelente operação e Lewis Hamilton teve de se contentar com o quinto posto, algo que certamente vai deixar o piloto desagradado, depois da decisão da equipa, que o fez entrar na box numa fase em que ele pedia para se manter em pista. Gasly conseguiu um bom sexto lugar, à frente de um discreto Norris, sem argumentos para mais. Sainz foi o Piloto do Dia, com uma excelente recuperação do fim da grelha até ao oitavo, à frente de Stroll e Ocon, o único piloto que não foi as boxes para trocar de pneus. A Mercedes conseguiu mais pontos, mas podemos considerar que foi a Red Bull que lucrou com os eventos deste fim de semana. Olhando para a prestação na sexta e no sábado, era claro que a Mercedes tinha vantagem, mas perder apenas apenas três pontos, quando o cenário inicial na corrida não parecia tão favorável pode ser considerado lucro para a Red Bull. Pérez conseguiu um bom resultado, Verstappen manteve a posição e Hamilton esteve perto de conseguir um pódio mas a queda para o quinto terá um sabor algo amargo, enquanto Bottas não deu hipóteses.









