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F1, Balanço de meio de época: Resumo dos acontecimentos

Fábio Mendes by Fábio Mendes
17 Agosto, 2021
in Autosport Exclusivo, F1, FÓRMULA 1
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GP da Estíria de F1: Verstappen e Red Bull deixam Mercedes sem resposta

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Os primeiros meses da época de 2021 da F1, trouxeram-nos intrigas, especulações e muitas lutas, dentro e fora de pista, pelo título e por cada ponto disponível em cada corrida, muitas vezes no fio da navalha.

Vivemos uma nova época dourada na disciplina maior da velocidade automóvel, a F1. Com dois blocos bem vincados, Mercedes e Red Bull, dentro do paddock não há ninguém que fique imune à polarização crescente entre as duas maiores potências deste ano. Muito desta “guerra” se deve ao facto de existirem dois pilotos com enormes capacidades, de duas gerações diferentes e com passados diferentes, mas também de deve em grande parte, às acusações parte a parte entre as duas estruturas por detrás de Lewis Hamilton e Max Verstappen.

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Se na frente do pelotão o combate é intenso, a meio deste, e mesmo no fundo, a situação não é tão diferente, apenas não é tão polarizador de opiniões e as conquistas (de pódios, de vitórias e até de pontos preciosos) são, normalmente, parabenizados por todos, desde adversários a adeptos. Resumidamente, tem sido mais polido entre adversários.

Adversários pela primeira vez

Desde o início da era híbrida na F1, que a Mercedes não tinha um adversário à sua altura. Mesmo quando a Ferrari prometeu, em 2017, trazer dificuldades à estrutura de Brackley, apenas beliscaram o poderio germânico, ainda assim, para terminaram no segundo posto da classificação de pilotos e de construtores.

Só no final desta época, é que saberemos se o que acontece com a Red Bull não é igual ao que aconteceu à Ferrari, mas para já, percebe-se que a Mercedes tem dificuldades reais, para além do trabalho muito bem desenvolvido por parte da equipa liderada por Christian Horner. As dificuldades estão tão presentes, que num primeiro instante Toto Wolff negou que a sua equipa trouxesse novas atualizações para o W12, para fazer frente às melhorias trazidas pela Red Bull e que melhoraram em zonas críticas o seu RB16, justificando a decisão, com o não querer retirar o foco da construção do monolugar para 2022. Depois de perderem nos GP do Mónaco, de França, do Azerbaijão, da Estíria e da Áustria, a Mercedes teve de dar o braço a torcer e na Grã-Bretanha trouxeram novidades para o seu carro. Com alguma sorte pelo meio, terminaram a primeira metade da época na mó de cima. Sorte para a Mercedes, azar para a Red Bull, já que foi nos circuitos de Silverstone e Hungaroring que dois acidentes retiraram a possibilidade de poderem vencer as corridas, tendo os seus adversários passado para a frente de ambos os campeonatos.

Tudo começou na primeira corrida

Na primeira corrida do ano, no Bahrein, Max Verstappen conquistou a pole à frente de Lewis Hamilton, mas isolado com dois pilotos Mercedes à sua volta. Ainda assim, Verstappen liderou a corrida desde a pole, perdendo o primeiro posto apenas por estar numa estratégia de duas paragens. Perto do final, com pneus em melhor estado e com menos voltas, Verstappen conseguiu ultrapassar Hamilton, mas para lá dos limites de pista, com a equipa a aconselhar o neerlandês a entregar a posição ao britânico. Era o ponto de partida da “guerra” feroz entre Red Bull e Mercedes fora de pista. Os homens da Red Bull afirmaram que Hamilton tinha passado várias vezes durante a corrida para lá dos limites de pista no mesmo local que Verstappen fez a manobra e não foi penalizado. Para lá da discussão que se gerou, a verdade é que Lewis Hamilton venceu a primeira corrida do ano, mas Max Verstappen confirmou a vontade de roubar o ceptro de campeão ao britânico.

Em Imola, no GP da Emilia-Romagna, Verstappen vincou ainda mais o seu querer e numa manobra agressiva, no entanto, dentro da legalidade, firmou o primeiro lugar na corrida, que levaria até ao fim em condições difíceis de pista molhada e pelo meio o britânico tremeu, com uma saída de pista a meio da corrida.

Hamilton respondeu com duas vitórias nos dois eventos seguintes, Portugal e Espanha, mas as coisas começaram a aquecer igualmente fora de pista. Toto Wolff especulou sobre umas imagens que mostravam a asa traseira dos Red Bull mais flexível do que o normal. A FIA, que tem estado também sob a luz dos holofotes, decidiu começar a analisar se os componentes estavam conforme o regulamento. A Red Bull, quase exclusivamente, através do seu conselheiro, Helmut Marko e do chefe de equipa Christian Horner, começou uma campanha de pressão nos media, lançando acusações sobre as asas dianteiras da Mercedes. Por sua vez, a estrutura da Mercedes, talvez por já não ter Niki Lauda que foi uma peça fundamental da equipa nos bastidores da disciplina, tentou responder na mesma moeda, lançando especulações sobre a atualização da unidade motriz da Honda, que equipam os carros de Max Verstappen e Sergio Perez. Falharam redondamente e provaram estar sob pressão, “atirando” publicamente sobre qualquer coisa que lhes desse uma pequena vantagem, mas esse território é muito bem explorado pelos membros da Red Bull.

Acidentes colocaram a F1 no fio da navalha

Dois episódios que marcam a primeira metade da época da F1, são os incidentes na primeira volta do GP da Grã-Bretanha e o da primeira curva do GP da Hungria. Nos dois, ambos os pilotos da Mercedes estiveram sob fogo e no primeiro caso, levou a que comentários racistas endereçados a Lewis Hamilton, colocassem a disciplina no fio da navalha. Foi ultrapassado o limite do aceitável e cometidos atos que os adeptos deste desporto não estão habituados. Não é normal no desporto motorizado, também não o devia ser na sociedade, mas a verdade é aconteceu.

O acidente em Silverstone, protagonizado pelos dois rivais que lutam pelo título de pilotos, lembrou cenas do passado na F1, mas é mais ou menos consensual, que ambos os pilotos não queriam dar parte fraca, levando a que ambos se tocassem, com um prejuízo maior para Verstappen.

Na Hungria, uma má decisão de Valtteri Bottas em condições de chuva, levou a uma nova chuva de críticas, desta vez até por parte de outros pilotos. A corrida foi totalmente transformada, mais até que em Silverstone, tendo vencido Esteban Ocon, com Lewis Hamilton a conseguir chegar ao pódio, enquanto Max Verstappen tentava pontuar.

Na frente, esperam-se novas batalhas, numa competição que se quer minimamente saudável e que até se aplaude.

O segundo pelotão ao rubro
O chamado segundo pelotão, que engloba McLaren, Alpine, Aston Martin, Alpha Tauri e Ferrari, está muito renhido. A McLaren, através de Lando Norris, conseguiu resultados excelentes, tendo em conta que lutou durante tanto tempo na cauda da grelha, imiscuindo na Áustria entre os dois rivais pelo título, mas com uma dupla muito equilibrada, a Ferrari tem dado muito boas indicações, principalmente nos 3 ou 4 eventos da primeira metade da época e até estiveram perto da vitória em Silverstone.

A Alpine, com o regressado Fernando Alonso, conseguiu arrancar uma vitória, a primeira de Esteban Ocon, isto depois de terem um início até prometedor. Até ao GP de Portugal, a dupla parecia ter condições para ter uma boa época, mas depois até Silverstone, a equipa passou por um momento menos positivo, valendo a experiência de Alonso em conseguir retirar qualquer coisa de maus carros. Saberemos depois da pausa de verão, se o nível da Hungria será possível manter.

A Aston Martin já conseguiu dois pódios através de Sebastian Vettel, sendo um deles sido retirado mais tarde (desclassificação do alemão na Hungria). Estão um pouco longe do que mostraram no ano passado, ainda com a designação Racing Point, mas foram prejudicados com uma pequena alteração no regulamento para este ano.

A Alpha Tauri tem uma dupla de pilotos que mistura (alguma) experiência e a necessidade de aprender. Se Pierre Gasly tem dado boas indicações, até se falando da possibilidade de regressar à Red Bull, o estreante Yuki Tsunoda começou bem a época, mas tem algumas falhas que prejudicaram a equipa. Mudou-se para Itália para estar mais próximo da equipa e isso parece ter ajudado. São dores de crescimento, é certo.

Luta pelos “pontinhos”

Na cauda do pelotão estão 3 equipas: Williams, Alfa Romeo e Haas. George Russell tem sido o piloto “mais” na Williams e prova que a equipa já é pequena para as suas capacidades. Por sinal, o seu companheiro de equipa, Nicholas Latifi conseguiu amealhar mais pontos na confusa corrida da Hungria e está na frente de Russell.
Na Alfa Romeo, o carro prejudica os dois pilotos, mas ainda assim, começam a surgir dúvidas se Kimi Raikkonen ainda tem capacidades para continuar na disciplina. A equipa cometeu alguns erros que não costumavam acontecer e para 2022, será necessário mais empenho na construção do monolugar, que apresenta um défice em relação ao monolugar da Williams.

A Haas apresentou dois estreantes como seus pilotos e como é óbvio, os resultados não seriam, à partida, os mesmos que os seus adversários diretos. Se Mick Schumacher e Nikita Mazepin têm tido alguns erros, normais na época de estreia, a estrutura precisa muito de investimento.

Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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