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F1 vs Fórmula E: Porque nada bate a Fórmula 1

José Luis Abreu by José Luis Abreu
2 Junho, 2021
in Autosport Exclusivo, F1, FÓRMULA 1, FORMULA E, VELOCIDADE
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F1 vs Fórmula E: Porque nada bate a Fórmula 1

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Pela primeira vez, com o Grande Prémio do Mónaco e o ePrix do Mónaco, a Fórmula 1 e a Fórmula E partilharam o mesmo circuito, o que permite fazer uma comparação directa entre as duas categorias e perceber o que cada uma oferece e o que não oferece… Fizemos uma análise para podermos perceber as diferenças e as semelhanças.

Apesar de toda engenharia e racionalidade envolvidas no automobilismo, o desporto automóvel é alimentado e catalisado por emoções – por desejo, paixão, imprevisibilidade, desmesura, admiração – que criam golpes de adrenalina tantos nos atores como na plateia.
Sem emoção, o desporto motorização não tem razão de existir, passando a ser um exercício de engenharia que poderia ser muito bem realizado à porta fechada e sem que houvesse necessidade de ser partilhado com o grande público.
Quanto a incerteza do resultado, a Fórmula E leva a melhor sobre a Fórmula 1, sem qualquer dúvida.
No fim-de-semana monegasco da competição idealizada por Alejandro Agag, a corrida só foi decidida na derradeira volta, após a espetacular ultrapassagem de António Félix da Costa a Mitch Evans, que sobre a linha de meta viu-se ainda suplantando por Robin Frinjs, caindo de primeiro para terceiro nos últimos metros de prova, sem que tivesse qualquer problema técnico. Apenas não tinha gerido a energia tão bem como os seus adversários imediatos.


O Grande Prémio do Mónaco teve muito menos ação ao longo das suas quase duas horas de prova que os quarenta e cinco minutos mais uma volta da competição de monolugares elétricos.
Max Verstappen arrancou de primeiro da grelha de partida para uma vitória em que nunca foi incomodado.
As trocas de posição que se verificaram deveram-se a abandonos ou a paragens nas boxes estrategicamente bem delineadas.
Sem qualquer dúvida, a emoção esteve muito mais presente no ePrix do Mónaco que na prova de Fórmula 1 do Principado.
As características dos monolugares da Fórmula E facilitam que os pilotos rodem mais juntos e possam colocar-se lado a lado. Se num circuito permanente a largura massiva de um Fórmula 1, dois metros, não é uma contrariedade maior, nas exíguas ruas monegascas é um problema evidente, como se pôde verificar no duelo entre Sebastian Vettel e Pierre Gasly em Beau Rivage, após a passagem pelas boxes do alemão da Aston Martin, em que, se por acaso um deles se chegasse mais para um dos lados, assistiríamos a um acidente a mais de 200Km/h.
O metro e setenta e sete centímetros de largura do Gen2 da Fórmula E, concebido para corridas citadinas, dá uma maior liberdade de movimentos aos pilotos, mesmo em pistas estreitas e, por isso, foi possível ver monolugares lado a lado ao longo de quase todo o circuito monegasco, durante o ePrix.
Para além disso, as performances menos impressionantes dos carros de Fórmula E, permitem aos seus pilotos ter mais tempo de reação e planear atempadamente as suas manobras de ultrapassagem.

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Como exemplo podemos dar a secção do Túnel que dá acesso à travagem para a Chicane do Porto. Uma zona que aqueles que a conhecem, apesar de ser feita a fundo por ambas as categorias, compreendem não ser tão simples como parece na televisão.
Os Fórmula 1, animados pelos seus mais de 1000cv de potência, chegam à zona de travagem a cerca de 280 Km/h por hora, ao passo que os Formula E, com 335cv, superam apenas os 220Km/h. É evidente que esta diferença favorece as lutas em pista da categoria dos monolugares elétricos.
Curiosamente, a diferença de andamentos entre as duas competição abre-se ainda mais em situação de corrida, mostrando que, apesar de a Fórmula 1 ser constantemente acusada de ser uma competição de gestão de pneus, a Fórmula E tem uma componente de gestão ainda maior, obrigando os pilotos a rodarem bastante abaixo da capacidade dos seus monolugares para garantirem ter energia para terminar a corrida.

Números não mentem
Como se pode verificar no quadro, a Fórmula 1 da qualificação para a melhor volta da corrida perde 3,643% ao passo que a Fórmula E perde 3,928%, sendo em termos absolutos “o delta” ainda mais expressivo.
Isto significa que o desafio de pilotagem da parte dos homens dos monolugares mais performantes do mundo é maior que os dos seus homólogos dos fórmulas elétricos, dado que para além de imprimirem um ritmo bastante mais elevado, rodam igualmente mais próximos do potencial do material que têm à sua disposição e durante mais tempo.
Os homens da Fórmula 1 estão assim, mais sujeitos a cometer erros e num circuito como o do Mónaco qualquer falta é paga com um elevado preço.
O facto de a corrida monegasca deste ano não ter tido qualquer acidente mostra o elevado nível a que operam, roçando uma exibição de arte em estado puro.
Não pode ser desvalorizado as performances dos pilotos da Fórmula E, que têm de o mais lento possível e, ao mesmo tempo, garantir que estão em situação de conquistar um bom resultado, ou a vitória.
Mas na verdade, o interesse dos adeptos está em ver os pilotos a levarem os seus monolugares até ao máximo e, nesta área, ambas as categorias têm algo para fazer, uma vez que em nenhuma delas se vê os pilotos ao ataque durante a maior parte da corrida.

Mundos opostos
A velocidades entre as duas categorias é definitivamente algo que as separa e, muito embora, a Fórmula E permita lutas em pista, a Fórmula 1 oferece o “wow factor” que dificilmente, outra forma de competição automóvel poderá oferecer.
As velocidades que os pilotos da categoria máxima têm de imprimir, mesmo durante a corrida, são quase inconcebíveis para os meros mortais que já passearam pelas ruas monegascas, sendo evidente que, a cada volta que completam, em que “beijam” os rails sem que isso os castigue é algo de especial.
O dramatismo de um fim-de-semana de Fórmula 1 no Mónaco ficou bem patente este ano, com a pole-position de Charles Leclerc. O piloto da Ferrari foi o mais rápido na qualificação, mas um erro de alguns centímetros atirou para um acidente que o impediu de tomar o seu lugar na grelha de partida, não tomando parte sequer na corrida.
Mesmo os Grandes Prémios em que nada acontece, como a da última edição, existe sempre a expectativa de um erro, de um problema que vire a classificação do avesso, basta recordar a edição de 1992, a de 2015 ou 2016, ou que crie um vencedor inesperado como aconteceu na prova de 1997.
Para além disso, a Fórmula 1 oferece algo com que a Fórmula E nunca poderá brindar os entusiastas – a banda sonora.
É sabido que os actuais V6 turbohíbridos não são os tenores dos V8 ou V10 atmosféricos, que cantavam a plenos pulmões, mas ainda assim a forma com o som das actuais unidades potência ribombam ao longo das ruas monegascas, ampliado pelos edifícios, é algo que faz arrepiar qualquer adepto de automobilismo, que têm no som mais um sentido que está a ser motivado.
E esta é a questão que faz divergir as duas categorias.
Por muito que a Fórmula E possa permitir corridas de maior incerteza, a Fórmula 1, com todo o seu esplendor e desmesura, tal como o Principado do Mónaco, presenteia todos com um maior número de sensações fortes, ou seja uma experiência mais intensa, mais inebriante.
Haverá sempre aqueles que preferirão uma corrida em que existe uma possibilidade forte de o vencedor ser decidido nos últimos metros de prova e outros que verão a forma como homem e máquina são postos à prova a cada instante como a experiência mais motivadora, mas no fundo, as duas categorias acabam por se completar.
Mas se alguém tiver de escolher apenas uma opção, então terá de perceber o que mais valoriza…

Tags: Jorge Girão
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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