As performances da Aston Martin têm sido pobres e a justificação está encontrada desde o início. As novas regulamentações não ajudaram e a equipa não conseguiu contrariar isso no inverno. Mas poderá haver outro problema maior a impedir o crescimento da equipa?
A Aston Martin nasceu da Racing Point que por sua vez era a Force India, equipa que a cada ano ia fazendo pequenos milagres com pouco orçamento. Sempre foi das equipas mais eficazes do paddock da F1, mas por vezes demorava a encontrar o rumo certo. Era inevitável que a Force India fosse minimamente competitiva ao longo do ano, não se sabia era se o seria na primeira ou na segunda metade.
Com a entrada em cena de Lawrence Stroll, e com a injeção de dinheiro que foi feita, a equipa ganhou condições para mostrar o que pode fazer com ferramentas melhores e mais financiamento. No fundo era o que todos queríamos ver. Mas também imaginávamos que os primeiros tempos não fossem fáceis, mais ainda com uma mudança regulamentar. Mas o “espalhafato” que Otmar Szafnauer tem feito por causa das novas regras deixa transparecer algo mais.
Gary Anderson da The Race levanta um ponto pertinente que merece ser tido em conta… a pressão das chefias pode estar a sufocar a equipa:
“Pedir falta agora é, na minha opinião, uma desculpa fraca por não identificarem a direção de desenvolvimento necessária para otimizar o carro para as mudanças de regras. A Aston Martin tem sido mais veemente nas críticas ao regulamento e parece muito óbvio de onde isso vem. Já estive envolvido numa equipa onde a pressão dos superiores supera a capacidade técnica”, diz Anderson.
“Tem de haver uma certa dose de paciência e planeamento a longo prazo. Tenho a certeza que Lawrence Stroll está muito interessado em ver a sua equipa ganhar mais corridas o mais depressa possível, mas esta não é a forma correta de o fazer”.
“Receio que se arrisque uma implosão pela pressão quando realmente se deveria estar no bom caminho para chegar à frente. O melhor para a equipa Aston Martin agora é olhar para o panorama geral, concentrar-se em obter o máximo do carro deste ano e aprender tudo o que puder. É preciso fazer tudo certo para ter sucesso na F1 e escolher quais as batalhas a travar. Neste momento, a pressão do topo só vai tornar a equipa mais fraca”, conclui Anderson.
A ideia é interessante. Da Aston Martin esperava-se muito e basta ver que no ano passado, Stroll pai terá ficado entusiasmado com a vitória da Racing Point, talvez olhando para o feito como um toque de Midas da sua parte. E se com X dinheiro se consegue vitórias, com Y a mais, o número de vitórias tem de ser superior… Pensará um homem de negócios habituado a contas de “somar e sumir”. Na F1 a equação nunca é fácil e o impacto do investimento demora a fazer-se sentir. A otimização da nova maquinaria, a mudança de mentalidade da equipa, a mudança nos métodos, tudo isso precisa de tempo para sedimentar e permitir fundações sólidas para o futuro. A impaciência é normalmente má conselheira e na F1 costuma resultar em fracasso.
Entende-se a necessidade quase absurda de Szafnauer resmungar sobre os novos regulamentos. Terá pressão de cima de si e quererá tirar pressão da sua equipa. Afinal a culpa não foi deles, diz o romeno. Mas a realidade é que a bem da equipa, Szafnauer precisa de se sentar com o chefão Stroll e dizer-lhe que a F1 o dinheiro pode comprar vitórias e títulos, mas é preciso tempo e um plano bem definido. Seria uma pena a equipa que tão bom trabalho fez até agora não conseguisse mostrar finalmente todo o seu potencial porque a sede de vitórias do patrão tolda a visão e o engenho de uma estrutura que já provou que pode fazer muita coisa boa. Szafnauer tem provavelmente a missão mais espinhosa pela frente. Bater o pé ao patrão, para bem dele, da sua equipa e… do investimento do patrão.











