Numa conversa rápida com o André Lavadinho, fotógrafo português do WRC, fiz-lhe três perguntas ‘rápidas’: Já compraste o teu fato para escalar o Evereste?, Que ‘armamento’ vais levar para espantar os ursos e os lobos? E por fim se já treinou disparar a máquina fotográfica com os outros dedos, pois o dedo indicador vai congelar num instante.
As respostas foram céleres, claro, o fato já existe há muito, só tem de ser ‘reforçado’, o André diz que até os ursos e os lobos já fugiram com o frio que se prevê e finalmente, o segredo: “o indicador já está preparado. Todos os dias o coloco no congelador 1 horita”.
Tudo isto porque na próxima prova do WRC, o Rally Ártico da Finlândia, vai estar um frio de rachar (ainda ontem à tarde estavam 29 graus negativos) e por isso concorrentes e ainda mais a caravana do WRC que tem de ir à estrada, precisa de um kit de sobrevivência.
Nas condições deste evento, as equipas estarão especificamente equipadas para fazer face a temperaturas tão baixas quanto -30°C, se não for mais. Por esta razão, o equipamento foi revisto e especificado nas regras desportivas do evento com vestuário quente para enfrentar o clima da Lapónia.
“Cada carro deve estar equipado com um kit de primeiros socorros e um triângulo refletor, caso contrário, não será permitido arrancar. Cada carro deve também levar duas pás de neve e roupa quente, chapéus, luvas e sapatos para o piloto e navegador. Os concorrentes também são lembrados que, além disso, dois cortadores de cinto devem ser sempre transportados a bordo. Devem ser facilmente acessíveis ao piloto e co-piloto quando sentados com os seus cintos presos.”
Excecionalmente para este rali, os navegadores, ao contrário dos pilotos não usam as suas botas tradicionais, de modo a poderem sair dos carros em total segurança, por exemplo para ajustar a pressão dos pneus. Usam botas de lã respirável, sendo que a camada exterior não pode ser com um inflamável.

Os concorrentes nunca sabem quando podem ficar parados no meio do nada e com temperaturas extremamente negativas. Os nevões são frequentes e inesperados tornando a visibilidade quase nula e as estradas difíceis ou mesmo impossíveis de circular, existindo sempre o risco de ficar preso num troço. Claro que há um ‘quartel general’ a seguir a caravana, há os Tracking GPS, portanto com a tecnologia hoje existente é muito mais fácil fugir dos problemas mas não convém facilitar.
A juntar a estas dificuldades só há quatro horas e meia de luz natural.
Sabia também que passam por locais com milhares de renas, e acidentes são possíveis. Nos dias de prova, vai haver gente a cuidar dessa situação, mas não nos reconhecimentos. Sabia que existe a obrigatoriedade, em caso de atropelamento de uma rena, de informar de imediato a polícia, que por sua vez comunica com o proprietário e com a organização do rali?










