Cumprem-se no próximo ano, de 2022, 90 anos de existência do Rali de Gales/GB, uma prova que teve que percorrer um longo caminho para se firmar no Mundial de Ralis, criando uma mística quase inigualável. Até bem à pouco tempo, parecia inabalável. A prova é que desde que entrou para o WRC, em 1973, nunca tinha falhado uma edição na mais importante competição de ralis do mundo, até 2019. 2020 foi o ano que todos sabemos, nem Grã-Bretanha, nem Finlândia, as duas provas que lideram o ranking de evento que mais vezes fez parte do WRC. O problema é que o evento não está também no calendário deste ano, as prioridades são outras, e o Rali da Grã-Bretanha está a perder gás…
Faz precisamente 90 anos para o ano que o Rali da Grã-Bretanha começou… mas num formato irreconhecível nos dias de hoje. Antes da 1ª Guerra Mundial existiam oito eventos que formavam o ‘mini-campeonato’ Rally GB, cujo caráter tentava replicar o Rali de Monte Carlo, com uma série de especiais que ligavam várias partes da Grã-Bretanha.
Nesses tempos existiam testes de condução, slaloms e uma grande ênfase na competição por classes. Depois da Guerra, esse mini-campeonato foi reavivado em 1951, para serem introduzidas no ano seguinte as especiais de velocidade, mas sempre com a predominância das classificativas de regularidade em longo curso.
Em 1954 foram estreadas as especiais à noite e em 1960 foram, aí sim, utilizadas verdadeiras classificativas de velocidade como hoje as conhecemos. Pela primeira vez na história do rali, essa edição foi ganha por um não-britânico, o sueco ErikCarlsson, num Saab.
Entre o início dos anos 60 e 1985 o formato manteve-se praticamente inalterado e altamente popular. Em 1987, os reconhecimentos foram uma inovação e, 10 anos depois, estreou-se o formato mais concentrado, com as super-especiaisespetáculo na zona central de Inglaterra e os exigentes troços florestais disputados no País de Gales.
A popularidade do evento foi sempre retumbante. Em 1934, apenas na sua terceira edição, participaram nada menos de 384 equipas. A prova britânica foi uma das fundadoras do Campeonato da Europa FIA em 1953.
Depois de algumas alterações na sua designação, nenhuma edição terá sido tão dramática como a de 1998, quando o Toyota Corolla WRC de Carlos Sainz e Luis Moya ficou parado a 300 metros do final do último troço, fazendo a desesperada dupla espanhola perder o título para Tommi Makkinen… que já tinha desistido!
Na década de 2000 o evento ainda se manteve estável, com grandes lutas, e com a Subaru e vencer várias vezes, mas em 2011 a prova mudou completamente de visual, com o ‘Sporting Start’ na estância turística do Norte do País de Gales, Llandudno, um regresso após 30 anos à ‘fita’ de asfalto à volta da Great Orme. Notava-se que a prova precisava de um abanão, porque aquele sentimento que sempre existiu com algumas provas do WRC, como é o caso do Rali de Monte Carlo e Finlândia, esbateu-se muito com o Rally GB que também estava nesse lote. Novamente em 2013 foram introduzidas grandes mudanças para revitalizar a prova no País de Gales, na procura pelos troços mais lendários do evento, no norte do País de Gales. As coisas foram-se mantendo estáveis desde aí para cá mas o evento já não entusiasma como antes. A questão da pandemia pode ter sido a machadada final, já que o futuro do Rali da Grã-Bretanha passa pela… Irlanda. É provável que o calendário passe por mutações num futuro próximo, mas quando o Rali da Grã-Bretanha fica de fora e ninguém se preocupa muito, é sinal que muita coisa mudou. É pena, porque o Rali da Grã-Bretanha foi palco de ralis épicos, naquela lama típica do outono inglês.











