Sébastien Ogier e Julien Ingrassia venceram pela oitava vez na sua carreira nos rali o Rali de Monte Carlo, naquele que é o seu 50º triunfo no Mundial de Rali.
Sébastien Ogier, oitava vitória em Monte Carlo, e 50ª vitória no WRC Séb. Qual é a sensação?
“Mencionaste alguns números muito especiais, que vêm juntar-se a esta emoção excecional que sinto por ter ganho este Rali de Monte-Carlo. Este é o rali que me deu o sonho de um dia ser piloto. O rali que assisti em criança e, na altura, sonhava apenas um dia poder ter a oportunidade do fazer! Conseguir oito vitórias neste rali é algo em que eu nunca teria pensado. E estou muito orgulhoso disso!”
Mas este não foi um rali fácil…
“A sensação foi muito boa este fim-de-semana, no carro. Talvez não na quinta-feira, onde tivemos o único problema, o único problema técnico. Esta [questão dos travões] foi invulgar para nos Yaris e, depois disso, foi realmente perfeito. Mas isso custou-nos um pouco de tempo e depois, na sexta-feira, perdemos tempo com um furo e isso não foi bom. Reagimos rapidamente para voltar à luta, e não é frequente, hoje em dia, vermos diferenças nos troços como esssa. É claro que fiquei feliz por ver que podia fazer a diferença quando estava a forçar o andamento. Com certeza, é bom começar a época desta forma…”
Houve uma grande diferença no teu sentimento relativamente ao carro de 2020 a 2021 nesta prova?
“Claro, esta época de experiência com o carro significa muito. Compreendo melhor como o carro reage e o que posso fazer nestas condições complicadas. Mas ao chegar aqui, ainda havia muitas questões com os pneus. Mesmo na prova, vimos que a Hyundai foi mais inteligente do que nós quando usou alguns pneus velhos, e andou melhor do que nós. Mais tarde na época, teremos de descobrir mais alguns pneus da Pirelli, mas esta época de 2020 ajudou-me muito a estar mais preparado para este rali. Tive um pequeno problema na semana passada com o acidente nos testes, por isso vim aqui com talvez 10 km de experiência com os pneus slicks. Por isso, não foi assim tão fácil. Mas funcionou. Estou muito contente”.
Houve alguns momentos especiais neste evento?
“Bem, é claro, os fãs faltaram, mas foi um sucesso para o ACM e a FIA. Juntos eles conseguiram organizar este rali com a situação da Covid. Tenho a certeza que muitas pessoas estavam a seguir a prova no seu smartphone ou em casa. Era importante organizar este rali e ter um início normal, ou quase normal, para a época de WRC. Estou ansioso pela vinda dos adeptos, claro que fazemos o desporto para fazer os adeptos felizes e para mostrar o produto que o fabricante está a construir. OK, comprar este tipo de Yaris seria complicado, mas há algo parecido…”
Seb, o Jari-Matti é um bom motivador?
“Os resultados falam por si. Conheço o Jari há muitos anos e uma coisa tem sido sempre muito clara: ele é muito simpático com as pessoas e essa relação com ele é fácil. É cedo na nossa relação para ver como ele se comporta [como chefe de equipa] dessa forma, mas tenho a certeza de que vai funcionar muito bem”.
Carlos Sainz ganhou pela Toyota da última vez em Monte Carlo, em 1998, qual é a sensação do seguir nessa lista?
“El Matador sempre foi uma grande influência para mim na minha carreira. Tenho uma grande admiração por ele como piloto. Tive a oportunidade de trabalhar com ele durante vários anos na Volkswagen, quando ele realmente ajudou muito a construir a máquina. E estou sempre impressionado com a sua motivação, a fome que ainda tem de vencer. Continua ativo, foi muito competitivo no Dakar! Tenho um enorme respeito pelo Carlos e orgulho de ser o próximo a segui-lo na lista da Toyota.
Este foi um dos Monte Carlo mais difíceis de sempre?
“Foi definitivamente um dos mais difíceis. Um pouco mais curto do que o normal em termos de quilómetros, mas pelas condições, foi um dos mais difíceis que tive de enfrentar. Era muito difícil de ler, os batedores passavam, por vezes, com condições muito diferentes das que tínhamos e o nível de aderência, por vezes, era incrivelmente baixo. Estar em Monte-Carlo no final já é um feito, por isso quem quer que esteja aqui pode sentir-se orgulhoso de estar aqui…”
Será que este é o fim-de-semana mais importante da tua carreira?
“É um dia especial com estes números, embora o recorde não seja o que persigo. Como concorrente, vou em busca da vitória quando entro em qualquer competição. Este lugar tem sido sempre único para mim por muitas, muitas razões. O meu ídolo foi Ayrton Senna e ele ainda tem aqui o recorde [das vitórias na Fórmula 1] e eu junto-me um pouco a ele com este recorde e isso deixa-me orgulhoso”.
Esta vitória coloca-te como um dos grandes de Monte-Carlo?
“Acho que posso ousar dizer que sim. Tenho definitivamente um bom pressentimento neste rali. Provavelmente nascer nos Alpes ajuda-me a ter esta ligação com as montanhas, com as condições deste inverno que temos de enfrentar aqui. Já o disse: há uma forte possibilidade de eu voltar a este rali no futuro. O campeonato já não está na minha lista, mas ralis como o de Monte-Carlo ainda podem definitivamente estar…”










