Mark Blundell, antigo piloto da Brabham, Ligier, Tyrrell e McLaren na Fórmula 1, esteve no podcast Beyond The Grid da Fórmula 1. Segundo Blundell, o piloto brasileiro Ayrton Senna era uma mistura de “genialidade e loucura” e também um piloto “incrivelmente egoísta”, certificando-se de que tinha tudo para ser bem sucedido.
“Lembro-me de um teste em Imola (pela Williams). Estava sentado no carro que tinha a suspensão ativa e o meu tempo por volta era um pouco mais rápido do que o do Senna, que não tinha a suspensão ativa. Por isso, ele estudou todos os dados e analisou o que se estava a passar.”
“Depois do teste, era suposto ir para o aeroporto e lembrei-me que era o Josef Leverer, o fisioterapeuta, que me ia levar. Perguntei-lhe quando íamos e o Senna levantou a cabeça e disse apenas ‘Não, ele fica’. Numa reunião cheia de gente importante eu só gaguejei ‘então, como chego lá?’. O Senna voltou a falar, ‘Não, ele fica aqui’. Foi um jogo psicológico que me fez compreender que naquela altura era apenas um piloto de testes, o substituto.”
“Ele conseguia tirar o máximo partido das pessoas que o rodeavam. Tinha o dom de pressionar o sistema sem que as pessoas à sua volta percebessem como a pressão era grande. Ele era daqueles pilotos geniais, à beira da loucura, mas era incrivelmente egoísta. Egoísta no sentido de que queria ter o que era preciso para ser bem sucedido.”









