A mudança de Daniel Ricciardo para a Renault foi uma das grandes surpresas de 2018. Passado 12 meses o piloto voltou a afirmar que não se arrepende da decisão tomada, mas será que tem motivos para isso?
Têm sido frequentes as declarações do piloto que dizem que está confortável com a decisão tomada e que apesar de difícil, foi uma mudança que sentiu ter necessidade de fazer:
“Ainda não me arrependo de nada após 12 meses”, afirmou no site oficial da Fórmula 1. “Eu tinha … não quero dizer expectativas, mas cenários na minha cabeça no início do ano de como as coisas iriam ser. Agora posso avaliar onde estou e tentar entender o que posso fazer melhor dentro de mim – e com a equipa – para manter tudo a funcionar”.
Será que foi a decisão certa para Ricciardo? É verdade que o factor económico terá pesado e que a proposta milionária da Renault terá pesado, embora se diga que a proposta da Red Bull não era muito abaixo do que ofereceram os franceses. Na altura pareceu uma boa decisão, pois a Red Bull iria ter um começo novo com a Honda (com todas as incertezas que isso implicava), o foco da equipa ia cada vez mais para Max Verstappen e a Renault já tinha experiência suficiente para entender o que tinha feito mal até então. Passado 12 meses a pareceria da Red Bull com a Honda já deu frutos saborosos e as últimas corridas antes da pausa de verão terão feito Ricciardo torcer o nariz. Mas na verdade, apesar de um crescimento constante até essa fase, a Red Bull Honda não parecia, e ainda não parece nesta fase, ter capacidade para ombrear com as equipas da frente como prometido e esta fase de estagnação é a prova de que há ainda muito trabalho para fazer.
A grande desilusão para o australiano terá vindo da Renault. Uma marca forte a nível mundial, inserida num grupo fortíssimo que não teme restrições financeiras. Mas o projecto Renault, do qual se esperava um grande salto neste ano voltou a ficar aquém do esperado. E se a questão da diferença de potência das unidades motrizes vais sendo resolvida, a qualidade do chassis da equipa francesas não tem permitido a Ricciardo estar mais perto dos lugares que ambiciona. É verdade que o australiano não esperaria estar a lutar por pódios nesta fase mas não esperava estar atrás da McLaren. Talvez Ricciardo tenha imaginado uma Renault um pouco mais próxima da Red Bull, o que justificaria a sua mudança.
Na Renault os discursos são sempre muito iguais. Primeiro muita ambição, muito trabalho e depois… Reformulação. A estratégia de comunicação dos responsáveis não tem sido a melhor e mais que isso, a execução do projecto também não. Junta-se a isso agora o caso da irregularidade no sistema de travagem da equipa, que a confirmar-se, será um golpe sério, numa equipa que já anteriormente esteve ligada a casos menos transparentes.
O potencial da Renault é grande e a equipa tem certamente os meios e as pessoas indicadas para chegar a bom porto, mas tem demorado a confirmar esse potencial que levou Ricciardo a assinar pela equipa. Ele nunca vai admitir publicamente que se arrepende, mas já deixou claro que se em 2020 o cenário for idêntico que pondera sair para outras paragens. A ideia por trás da saída da Red Bull faz muito sentido, mesmo agora com 12 meses de distância e por isso não há motivos de arrependimento por parte de Ricciardo. Mas o que tem recebido por parte da Renault é que não tem sido o suficiente para que esse sentimento de arrependimento seja completamente apagado.











