Nos últimos dias os media têm espalhado a palavra dada pelo presidente do governo brasileiro, Jaír Bolsonaro, de que será construído um novo circuito na área do Rio de Janeiro, num prazo que permita receber o GP de 2020, deixando assim de lado Interlagos.
A mensagem não foi inventada e está escrita, preto no branco, nas redes sociais do governante brasileiro e foi inclusive comentada neste fim de semana em Barcelona. Mas a realidade poderá ser diferente.
O objectivo , segundo Boslonaro, será construir um novo ”autódromo em até seis, sete meses e poderá receber a Fórmula 1 no ano que vem no Rio de Janeiro. Além de aquecer o setor hoteleiro, serão gerados cerca de sete mil empregos diretos e indiretos. Ganham o Rio de Janeiro e o Brasil”
O governador Wilson Witzel acrescentou o seguinte: “A Fórmula 1 iria deixar o Brasil. Após unirmos forças com o Governo Federal e o Município, conseguimos convencer que o Brasil voltou a ser um país sério e com um futuro próspero. O embaixador da Inglaterra nos procurou aqui no Rio de Janeiro e, com o esforço e cooperação de todos, vamos permitir que o estado novamente seja mais um polo de atração turística com a Fórmula 1”
Surgem algumas questões que apenas os governantes poderão responder:
-Poderá ser edificada uma estrutura que receberá 130 mil pessoas em meio ano?
-Qual o interesse de fazer uma nova estrutura deste calibre, estando Interlagos já preparada para tal, tendo recebido inclusivamente obras de beneficiação ainda há pouco tempo?
-Qual o papel do embaixador inglês neste assunto?
Marcelo Crivella acrescentou ainda ,“estamos lançando o edital, as empresas apresentarão suas propostas, em 45 dias sai o resultado e começaremos a obra”.
As dúvidas são legitimas tendo em conta os prazos curtos que estão em cima da mesa.
A juntar a estas dúvidas há um dado avançado pelo jornalista brasileiro Flávio Gomes que escreveu o seguinte: “Há uma sentença da Justiça Federal do Rio de Janeiro proferida em 19 de setembro do ano passado que suspende qualquer licitação visando a construção de um autódromo em Deodoro sem que seja apresentado um Estudo de Impacto Ambiental para a área, também conhecida como Floresta do Camboatá. O terreno, de dois milhões de metros quadrados, é reconhecido como Área de Preservação Permanente — contém resquícios da Mata Atlântica nativa, além de rica fauna silvestre, árvores e animais em risco de extinção etc. Resumindo, não dá para derrubar tudo e sair asfaltando um circuito ao seu bel-prazer. “
É assim um cenário difícil de entender à distância e apenas quem tiver mais dados concretos poderá fazer uma avaliação mais assertiva. Mas à distância, parece que o anúncio feito poderá ser demasiado otimista. A única coisa certa é que os governantes brasileiros afirmaram publicamente a vontade e apresentaram os planos para que o dito circuito avance.








