O desporto em geral é um meio muito competitivo em que as emoções são levadas ao extremo, ainda mais nos dias de hoje em que o nível de todas as competições, sem exceção, é muito mais elevado que no passado, e por isso é mais fácil assistir-se a situações limite, e quando os seus intervenientes são mais suscetíveis a quebrar sobre pressão, ou a fazer uso dos seus piores instintos mais facilmente, as coisas tornam-se um verdadeiro problema, ainda mais quando isto acontece num meio já de si perigoso por ‘definição’.
Foi o caso do que sucedeu com Romano Fenati, no GP de S. Marino, em que o italiano tentou travar com a mão esquerda a moto de Stefano Manzi, quando ambos rodavam lado a lado, um gesto muito perigoso, que podia ter resultado na queda do seu compatriota. A direção da corrida viu as imagens, mostrou-lhe a bandeira negra, mas isto não podia ficar por aqui. Romano Fenati tem fama de ‘bad boy’, há muitos exemplos disso, e num caso destes a pena tinha que ser absolutamente exemplar.
Uma coisa são ‘zangas’ em pista, resolvidas com inócuos chega para lá, outra, para lá de muito grave, são perigosas ‘vinganças’ como a que protagonizou Fenati. No desporto em geral há, infelizmente, demasiadas ovelhas ranhosas deste nível e a sensação que fica, por vezes é que cada vez há menos limites para tudo. Quando eu era ‘puto’, até quando se andava à porrada, havia honra, ninguém passava de certos
limites, hoje para ir do 8 ao 80 basta um acelerador, ou um travão…
Sou de opinião que as pessoas devem ter segundas oportunidades, mas há casos em que o historial diz que só se vai adiar um problema. A equipa que lhe terminou o contrato e a que lhe ia dar outro para o ano limitaram-se a fazer o óbvio, sendo certo que nos tempos que correm, qualquer situação tem muito facilmente uma exposição que não existia no passado. A internet não perdoa, embora seja verdade que na internet as vozes negativas fazem-se ouvir com muito mais força do que as positivas ou neutras. E isso também faz parecer que os casos têm muito mais carga negativa do que realmente têm. Alguns, não este!
Imagine-se hoje o barulho que se faria na internet com o caso Prost/Senna de Suzuka 1990. Será que a pressão que viria inevitavelmente da internet permitiria que Senna saísse incólume tão facilmente do caso? Há muitos outros exemplos, a patifaria que fez Michael Schumacher em Jerez 1997, ou muitas outras situações um pouco por todo o lado. Não sou adepto de banir um piloto para a ‘vida’, mas sou adepto de fortes penas. Romano Fenati veio a público desculpar-se e ele próprio diz que não quer mais pertencer a este mundo ‘injusto’. Está no seu direito. Mas este mundo que vai continuar a ser injusto para alguns, também não precisa de gente nos desportos motorizados que fervam em tão pouca água. É perigoso para si e para todos os que andam à sua volta. Por isso, talvez seja melhor assim…












