Depois da sua morte, Rudolf Caracciola, um dos seus mais coriácios adversários, rendeu-lhe a maior homenagem possível: «Literalmente, o Bernd não sabia o que era o medo. E, por vezes, isso não é bom. Em todas as corridas, sentíamos todos medo por ele. Mais cedo ou mais tarde, isto tinha que acontecer!»
“Isto”, foi a sua morte, a 28 de Janeiro de 1938, aos 28 anos, num troço da auto-estrada Frankfurt-Darmstadt, junto do cruzamento de Langen-Morfelden, onde hoje exite um singelo monumento em sua memória. Nesse dia, os homens da Mercedes, comandados por Alfred Neubauer e que incluia os pilotos Caracciola e Manfred von Brauchitsch, e os da Auto Union, com Rosemeyer como piloto, encontraram-se para bater o recorde mundial de velocidade em terra.
Na véspera, Caracciola tinha estabelecido a marca de 432 km/h. Rosemeyer, manhã cedo do dia 28, foi um dos primeiros a felicitar o seu rival: «Agora, é a minha vez.» Depois das duas primeiras tentativas – o recorde era homologado pela média de três “runs” – Rosemeyer regressou, deu a volta com o seu Streamliner e preparou-se para a tentativa final.
Os homens da Mercedes ainda procuraram dissuadi-lo, pois o vento estava cada vez mais forte; Bernd negou-se a desistir e partiu. O ruído do motor do Auto Union afastou-se… e deixou de se ouvir. Toda a gente correu ao longo da estreita faixa de cimento esbranquiçado e, junto à saída nº 5, depararam-se com os restos do Auto Union, num barranco. Mais longe, estava o corpo do piloto. Estima-se que o acidente tenha acontecido quando seguia a cerca de 440 km/h. Este foi o final esperado para aquele que foi um dos mais rutilantes e efémeros diamantes das provas de GP antes da Segunda Guerra. Filho do dono de uma oficina, cedo Bernd se familiarizou tanto com motos como com automóveis. Começou, por isso, a correr em duas rodas, mas depressa se juntou à equipa oficial da Auto Union. A sua maestria em dominar aqueles monstros de mais de 500 cv só encontrava paralelo em Tazio Nuvolari. Rosemeyer venceu o seu primeiro GP em 1935, em Brno e, no ano seguinte, foi Campeão Europeu de GP.











Muitos parabéns por estes artigos sobre os pilotos de outros tempos.
Gostava de também ver um artigo sobre um piloto que é referido neste artigo, Tazio Nuvolari, e que para mim é um dos melhores de todos os tempos.
Provavelmente já o terão em conta, estes Homens eram do tempo em que os erros se pagavam com a vida e não com um atascanso na gravilha.