Uma das novidades introduzidas em 2014 nos motores turbo-híbridos foi um sistema de recuperação de energia apelidado de MGU-H. O componente revolucionário desta nova unidade motriz permite recuperar energia vinda do turbo, para recarregar baterias e em situação de baixa rotação activar o turbo de forma a evitar-se o famoso “lag” dos motores turbinados.
A ideia só por si é genial, mas a sua aplicação tem sido uma constante dor de cabeça, levando a um investimento avultado por parte dos construtores para tirarem o máximo proveito do conceito. Como é um dos componentes que mais encarece a unidade motriz, os planos dos responsáveis da F1, juntamente com a FIA, é de remove-lo nos novos motores para 2021, o que é claramente um retrocesso ao nível tecnológico, salientado por todos os responsáveis pelas marcas fabricantes de motores.
“Vamos sentir falta do MGU-H”, disse Toyoharu Tanabe, diretor técnico da Honda F1. “Ainda não decidimos tudo para 2021, , mas achamos que iremos perder o MGU-H, um peça de engenharia fantástica e relevante para o carro de produção . Gostaríamos de manter essa tecnologia.”
Andy Cowell concordou com a afirmação do japonês e foi mais longe na explicação:
“Existem apenas quatro empresas de tecnologia que fizeram funcionar o MGU-H,. Ele contribui com 5% da eficiência térmica da unidade motriz e para compensar essa a diferença de energia que teremos para aumentar a taxa de fluxo de combustível, o que eu acho que é um passo para trás. Não é progresso, e, na minha opinião o MGHU- H deve ficar.”
A mesma opinião é transversal a todos, com Mattia Binotto da Ferrari e Remi Taffin da Renault a expressarem o mesmo lamento pela remoção de um componente que tem tanto de complexo como de interessante, com o responsável francês a mostrar duvidas de que a medida irá tornar as performances mais equilibradas.
O MGU-H é a parte mais inovadora destas novas unidades motrizes da F1. Graças a eles, as equipas conseguem recuperar uma quantidade considerável de energia, conseguem evitar o lag do turbo, e aumentam a eficiência dos motores. Mas infelizmente além do custo e da complexidade, o MGU-H é responsável pelo som abafado que tanto entristece os fãs de F1. O Grande Circo chegou ao ponto onde tem de novamente avaliar as suas prioridades e neste caso a relação entre entretenimento e tecnologia. Claramente que nesta fase a tecnologia está a ganhar, mas aos poucos o entretenimento está a regressar e a ganhar qualidade. Os motores não são o maior problema da F1 actual (a aerodinâmica sim deve ser claramente revista) e remover o MGU-H é um passo atrás. Poderá atrair mais construtores mas a F1 perde um sistema que será falado (e provavelmente admirado) durante muitos anos. Ao menos as marcas terão agora dados para aplicar essa tecnologia aos carros de estrada, que é o que todos queremos. Um motor com uma eficiência de 50% seria um sonho para a maioria dos consumidores. A F1 terá cumprido o seu papel ao apresentar uma nova solução capaz de melhorar a industria automóvel. Só é pena não continuar com esse papel, com este componente.










