Lewis Hamilton começou a temporada com um estrondo – uma pole-position fabulosa em Melbourne – parecendo estarmos perante aquele piloto que no ano passado esteve imperial para assegurar o seu quarto ceptro de Fórmula 1. Contudo, desde então o inglês eclipsou-se, sendo batido consecutivamente pelo seu colega de equipa.
O britânico, de facto, começou bem a temporada com uma “pole” digna de ficar nos anais da história da categoria e parecia caminhar para início da defesa do seu título com uma vitória até que um Safety-Car Virtual entrou no seu caminho e a sua equipa falhou estrategicamente ao não lhe dar a distância correcta para Vettel para ficar ao abrigo de uma situação destas.
O tetracampeão mundial tudo tentou para ultrapassar o alemão, tentando esgotar todas as possibilidades para suplantar o Ferrari, mas depois de terminar em segundo num Grande Prémio em que o triunfo parecia seu parece ter sido a sua confiança a esgotar-se.
Desde então, Hamilton viu-se batido consecutivamente por Valtteri Bottas tanto em qualificação como em corrida, algo completamente anormal, e na China parecia inclusivamente ausente, desculpando-se perante a equipa via rádio mais que uma vez, e bastante tempo depois, de um mau arranque para depois queixar-se insistentemente de uma estratégia errada, aquando da situação de Safety-Car.
Este comportamento é pouco normal, uma vez que um bom arranque não é um dado adquirido, sendo muitas as condicionantes para que possa acontecer ou não nem sempre relacionado com o piloto protagonista. Por outro lado, estar ainda falar do mesmo assunto dez voltas depois do facto demonstra falta de foco.
Na questão da estratégia, é habitual os pilotos se queixarem das opções das respectivas equipas, mas de forma tão insistente, para além de não valer de nada – como se costuma dizer o mal está feito – está apenas a criar anticorpos junto dos estrategas que já permitiram a Hamilton vencer muitas corridas.
Após o Grande Prémio da China o inglês era um homem derrotado, quase à beira da depressão, como se não tivesse solução para os problemas que atravessa. “Quem sabe o que pode trazer a temporada… Se continuar assim, será muito difícil vencer.
Mas se houver uma oportunidade e se pudéssemos terminar no topo, significaria ainda mais, dado que esta temporada é mais dura que nunca”, afirmou o Campeão Mundial em título que acrescentou em tom negativo: “O meu objectivo é o mesmo. Mas é claro que depois deste fim-de-semana (n.d.r.: da China) não somos os mais rápidos.
Perdemos performance após Melbourne e ainda mais este fim-de-semana. Somos a segunda ou terceira equipa mais rápida, portanto, temos de melhorar, mas isso não é impossível”.
A prestação desenxabida de Hamilton não passou despercebida a Toto Wolff que reconheceu após o Grande Prémio da China que o seu piloto, que já conquistou três títulos de pilotos para a Mercedes, talvez não esteja ao nível esperado. “Tal como o carro, talvez ele não tenha estado no seu melhor este fim-de-semana (n.d.r.: da China). Ele é o melhor piloto, na minha opinião, mas mesmo os melhores têm dias em que não estão a cem porcento”, admitiu o chefe de equipa da formação do construtor de Estugarda.
Não é anormal Hamilton ter quebras de forma, tendo sido uma característica ao longo da sua carreira. Os seus últimos anos na McLaren são o exemplo mais claro, tendo sido dominado por Jenson Button em 2011 e sentido dificuldades em bater o seu conterrâneo no seguinte.
Em 2017, apesar do seu título e de, depois das férias de Verão ter estado ao seu melhor nível, teve ainda assim algumas corridas abaixo do esperado, como foi o caso na Rússia, no Mónaco e na Áustria, tendo sido batido em qualquer um dos casos por Valtteri Bottas.
No entanto, foi com Nico Rosberg, sempre capaz de destabilizar psicologicamente Hamilton, que o inglês viveu momento mais difíceis, apontando o germânico que o seu ex-colega de equipa por vezes cai numa espiral negativa. “Quando nem tudo corre dentro da perfeição, ele começa a perder o nervo um pouco e um toque de motivação, e acaba por ter dificuldades durante algum tempo”, sublinhou o Campeão Mundial de 2016.
Ainda assim, Rosberg evidencia a capacidade de renovação de Hamilton que, aproveita os seus mais períodos para se fortalecer e alcançar novos limites. “É preciso maximizar essas corridas (n.d.r.: em que o inglês está aquém do esperado), por que o Lewis volta sempre.
Quando volta, volta tão forte que é quase imbatível. Vamos ver o que acontece”, afirmou o alemão.
Será Hamilton capaz de dar a volta?
A avaliar pelo passado, sim. Ainda é bastante cedo na temporada e de facto, graças ao toque de Max Verstappen em Vettel na prova da China, o piloto da Mercedes está no segundo posto do Campeonato de Pilotos a apenas nove pontos do alemão da Ferrari, que lidera.
Fica por saber qual a profundidade da “depressão” de Hamilton, podendo a crítica de Wolff não ter ajudado, uma vez que depois de sentir que a sua equipa o deixou ficar mal em, pelo menos duas ocasiões (na Austrália e na China), sentir-se acossado pelo “chefe” talvez não seja o melhor para o seu ego.
Para além disso, e apesar de todos dizerem que querem continuar juntos, a verdade é que não há ainda acordo entre Hamilton e a Mercedes para a extensão do contrato que termina este ano, ficando por saber se as negociações poderão ser uma distracção para o inglês.
No entanto, se “todos os planetas se alinharem” se há piloto capaz de dar a volta a uma situação esse é Lewis Hamilton e num ano em que a equipa Brackley não tem, para já, o melhor carro do plantel, esta precisa que o seu piloto de ponta esteja ao seu melhor nível para suster os ataques da Ferrari e da Red Bull.










