Hoje em dia, em Portugal, parece que também muitos dos adeptos do automobilismo já se deixaram influenciar com o ‘lamaçal’ que grassa fora dos relvados no desporto rei no nosso país.
Depois dos acontecimentos do passado domingo no Grande Prémio da Austrália de Fórmula 1 em Melbourne, em que a Ferrari ganha uma corrida que estava a caminho de ser perdida, não faltam exemplos, neste e noutros sites, de uma alegada teoria da conspiração em que a Haas facilitaria o triunfo da Ferrari.
Devo confessar que, como jornalista, é tão mais fácil conseguir olhar para as coisas com um grande distanciamento, totalmente no pólo oposto dos fanatismos, e poder pensar um pouco sem ser ‘afetado’ pelas mesmas palas que muitos teimam em usar para opinar sobre determinados assuntos.
Isso torna a vida bem mais fácil, pois como não tenho preferências, elas nunca poderão afetar o discernimento ou a apreciação, que poderá ser errada, mas nunca por causa de ‘palas’.
Por vezes, leio comentários em que me tenho que rir, pois tão depressa sou acusado de ser adepto da Ferrari, como da Mercedes, como da Red Bull, McLaren, enfim, o que der mais jeito ao forista do momento.
Compreendo bem o que é ser adepto deste ou daquele, todo e qualquer leitor, adepto ou forista, como preferirem, tem o direito à sua visão, mesmo que toldada no fiel da sua balança.
Só assim é possível achar sem a mais pequena sombra de dúvida que houve ali mão da Ferrari em conluio com a Haas.
Se fosse preciso utilizar outros argumentos, não faltariam, mas utilizo só um.
Quem já anda nisto há algum tempo e já ouviu falar de um senhor chamado Gene Haas, que tem o nome que tem nos EUA e em todo o mundo, através do desporto automóvel e das suas empresas, acredita que um personagem destes se sujeitaria a uma enorme humilhação se um caso destes fosse verdadeiro e um dia se tornasse público.
Uma coisa é falarmos de um personagem como Flavio Briatore, de quem não foi preciso chegar a 2008 para termos outros exemplos, que nos deixaram com a pulga atrás da orelha, outra completamente diferente, uma pessoa como Gene Haas manchar o seu nome para oferecer uma vitória à Ferrari, que, desconfio, não lhe vai valer de muito, porque pelo que se viu a Mercedes é melhor, tem um piloto dos melhores de sempre da história da F1, e por isso tem enormes probabilidades de, nos 20 Grandes Prémios que ficam a faltar, dar a volta ao texto.
A não ser que a Ferrari faça muito melhor do que fez em Melbourne daqui para a frente, claro.
Até acredito que possa haver ali algum gato escondido com o rabo de fora na questão da competitividade da Haas este ano, pois tal como disse Otmar Szafnauer, da Force India: “Se foi com uma varinha mágica, também quero uma dessas”, mas pensar que o que sucedeu ser orquestração ‘à lá’ ‘Crashgate Singapura 2008’ era ir longe demais.
Já viram as etapas que se teriam de ultrapassar para uma coisa dessas suceder? Passar pelo bom nome e honra de Gene Haas, Guenther Steiner, e mais uma ou duas incógnitas pessoas da equipa de mecânicos da Haas. Um deles, tal como se viu nas imagens, poderia ir também direto de Melbourne para Hollywood, pois era visível a sua consternação. As imagens de Romain Grosjean a confortar um desses mecânicos, também poderiam ser votadas nos Óscares.
Em resumo, não acredito que Gene Haas se prestasse a isso. O que teria a perder caso fosse descoberto não tem preço para uma pessoa como ele, e é preciso que as pessoas entendam uma questão destas. Ponto final.
Contudo, dito isto, e passando a falar de forma global, também não sou anjinho de achar que não há ou nunca houve arranjinhos, quer seja na F1 ou noutro desporto qualquer.
O futebol, é o que se sabe, o doping no atletismo e em muitos outros desportos, os engenhosos motores nas bicicletas no ciclismo, há milhares de exemplos, inclusivamente no desporto automóvel e não é preciso quedarmos-nos por Singapura 2008 e na F1. Lembram-se do Rali da Catalunha de 1995?
Há muitos mais, muitos deles nunca viram nem nunca verão a luz do dia, e por isso nunca direi que isso não existe, pois estaria a ser ingénuo.
Mas quando a Haas se preparava e estava bem posicionada para conseguir o melhor resultado da sua história, fazer uma coisa dessas?
Porca miséria…












