É um dissabor que vem desde 2014… os motores franceses ainda não estão ao nível dos motores rivais e com isso, a Red Bull perde terreno desde início. É preciso usar inteligência e engenho para dar a volta a situação, algo que a Red Bull está claramente habituada a fazer. Além disso, tiveram de melhorar um carro que não começou muito bem logo de início, mas que foi claramente evoluindo até se tornar num dos melhores da grelha, outro hábito da equipa.
Adrian Newey teve pouca mão no projeto inicial do carro de 2017, por estar envolvido no desenho do novo supercarro da Aston Martin, em parceria com a Red Bull. Quando regressou à F1, já o campeonato tinha começado e as dificuldades da equipa era claras. Mas não há tarefa que seja demasiado difícil para os ‘Bulls’ – que não os de Chicago – que trataram de melhorar o carro e com isso os resultados também foram melhorando. Faltou mais fiabilidade para que pudessem incomodar os homens da frente, mas aí a culpa pende para a Renault. Na maioria das corridas um dos carros apresentou problemas ou não terminou a prova e se na primeira metade foi Max Verstappen o principal alvo do azar, na segunda metade, Daniel Ricciardo não teve grandes motivos para sorrir.
Quanto à prestação dos pilotos pouco há a dizer. Estamos provavelmente perante a melhor dupla da grelha, e aquela que mais potencial apresenta.
Verstappen mostrou rapidez e a irreverência do costume, enquanto Ricciardo fez valer a sua regularidade para se tornar o piloto da equipa com mais pontos no final do ano (foi menos fustigado pelas avarias). Das vezes que ambos acabaram as corridas, Verstappen levou a melhor 5 vezes, contra 2 de Ricciardo. Em qualificação, o holandês não deu hipóteses e ficou à frente 13 vezes, contra 7 do australiano. Max conseguiu ainda 2 vitórias, contra uma de Ricciardo.
No geral, Verstappen conseguiu ser melhor que Ricciardo e apenas as sucessivas avarias mascararam o potencial de Max em 2017. Ricciardo voltou a ser destaque pela regularidade, pelos poucos erros que cometeu e pelo grande número de ultrapassagens que fez (piloto com mais ultrapassagens em 2017). Faltou a Ricciardo mais velocidade na qualificação, algo que admitiu e que terá de trabalhar no futuro. Verstappen é o primeiro piloto a colocar em causa a posição de Ricciardo na Red Bull. Com Vettel e Kvyat foi claramente melhor, mas desde a entrada de Max que o protagonismo tem sido dividido o que é bom para os pilotos que são obrigados a evoluir e para os fãs.
Verstappen assinou contrato com a Red Bull, por mais 3 épocas, enquanto Ricciardo ainda irá ponderar as suas opções em 2018, com olhos para uma possível vaga na Mercedes. Mas esta dupla trouxe de volta o espírito irreverente da Red Bull nos primeiros anos da F1. A boa disposição de Ricciardo ganha cada vez mais fãs e Verstappen entende que isso pode jogar também a seu favor. As esperanças do titulo em 2018 estarão sempre dependentes do que a Renault conseguir fornecer ao nível de motorizações.
Espera-se que os franceses possam dar mais um salto qualitativo, especialmente ao nível da fiabilidade e se conseguirem melhorar o seu material, a Red Bull terá de ser encarada como candidata, pois o chassis promete ser novamente dos melhores do grid. Se a Renault não apresentar as necessárias melhorias, os Bull´s terão de se contentar novamente com as migalhas das equipas da frente, sendo que para o ano a McLaren terá de ser incluída neste campeonato. Mas é claro que a Red Bull é das equipas mais fortes da F1 e aquela que mais capacidade tem em inverter ciclos negativos. Há talento em todos os sectores e potencial para regressar aos títulos, desde que com o motor certo.











